ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 07/01/2019
Em meados de 2017 a mídia internacional noticiou o escândalo envolvendo o criador do Facebook Mark Zuckemberg, este supostamente participava de um esquema em que dados de usuários eram repassados a uma diversidade de empresas. Nesse contexto, cotidianamente, grandes organizações têm acesso à informações de usuários, convertendo tais dados em mecanismos de manipulação. Dessa forma, tal cenário é, claramente, problemático, pois pode levar à intensificação do consumismo e à perda de identidade comportamental dos internautas.
Primeiramente, é válido ressaltar o consumismo como característica marcante da sociedade atual. Consoante a isso, estão as ideias do sociólogo contemporâneo à escola de Frankfurt Walter Benjamin, que criticou a forma como o momentos de lazer têm se tornado sinônimos de momentos de consumo. Analogamente, é possível constatar a intrínseca relação de manipulação exercida por sites e aplicativos, uma vez que atitudes de lazer como ler e ouvir música online fornecem informações que são convertidas em anúncios personalizados que seduzem usuário, levando ao consumo mesmo que essa não fosse sua intenção inicial.
Ademais, convém frisar que, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a pós-modernidade propiciou o surgimento de mecanismos que levam à perda de identidade do indivíduo. Exemplo desses mecanismos são os algoritmos coletores de informações existentes na internet, pois ao agirem de maneira sutil e, muitas vezes, desconhecida pela sociedade direcionam e redirecionam o comportamento dos indivíduos. Dessa forma, o usuário acaba perdendo, de maneira inconsciente, sua autonomia e identidade comportamental.
Portanto, o poder legislativo com auxílio dos órgãos reguladores da propaganda devem, por meio de pesquisas, discussões e votações nas câmaras e senado, criar dispositivos legais (leis e emendas) que estabeleçam e esclareçam limites para o uso e conversão de dados dos usuários em propagandas abusivas e personalizadas a fim de que os indivíduos não tenham suas informações pessoais convertidas em isca para o consumo desnecessário. Desse modo, donos e administradores de empresas de redes sociais repensarão antes de repetirem o ato de Zuckemberg.