ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 15/01/2019

A manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na Internet é uma realidade contemporânea mundial que apresenta facetas negativas e positivas. Logo, propostas de intervenção cujo objetivo seja minimizar os aspectos perversos dessa questão devem ser pensadas. O resultado do último processo eleitoral nos EUA, que culminou na eleição do atual presidente Donald Trump, por exemplo, pode ter sido fruto de um aspecto desfavorável da manipulação do comportamento de internautas. Há indícios de que a equipe de campanha de Trump tenha contratado uma empresa britânica especializada em análise de dados para coletar informações – a partir do Facebook – a respeito do perfil do eleitorado norte americano. Tendo em mãos valiosas informações sobre a opinião política dos usuários, suspeita-se que a empresa tenha sido paga para espalhar notícias falsas, as “fake news”, em desfavor de sua oponente no pleito, Hillary Clinton. Caso essa desconfiança seja confirmada, fica evidente que a manipulação em análise configura forte ameaça à democracia representativa. Outro aspecto perverso dessa realidade é de natureza econômica e ocorre quando grandes empresas do ramo comercial se utilizam de algoritmos para conhecer os gostos do potencial cliente e destinar a ele justamente anúncios as mercadorias mais suscetíveis a seduzi-los. Atuando sobre um objeto de desejo já conhecido do indivíduo, torna-se mais difícil que ele apresente um olhar mais crítico para o anúncio em questão. Entretanto, a lógica de funcionamento desses algoritmos também apresenta reflexos positivos, ao aproximar indivíduos dos conteúdos com os quais mais se identificam, trazendo uma experiência mais agradável na rede e favorecendo a interatividade. Ademais, esse processo é potencialmente benéfico para o fortalecimento da participação política do cidadão, uma vez que os algoritmos atuam de forma a unir aqueles que lutam por causas semelhantes, favorecendo a organização de movimentos sociais e, portanto, o ativismo político. Diante disso, urge a necessidade de o governo concentrar esforços na minimização dos aspectos negativos inerentes à temática. Isso poderia ser feito por meio da regulamentação dos grandes canais de comunicação, de forma a possibilitar que o usuário possa atuar como um sujeito ativo ao permitir ou não o uso de seus dados para fins políticos e/ou econômicos. Além disso, devem ser pensadas formas de punição tempestivas para os veículos de comunicação ou empresas envolvidas no disparo das fake news, com o objetivo de minimizar seus malefícios. Por fim, é preciso que o exército de moderadores responsável pelo processamento e retirada de informações da rede (após a ocorrência de denúncias de conteúdo abusivo) conte com alguns representantes do Poder Público e da sociedade civil.