ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 19/01/2019
Após quase três décadas como ferramenta da globalização, a internet tornou-se parte intrínseca do cotidiano da maioria das pessoas. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que, em 2016, quase 65% dos brasileiros a partir de 10 anos de idade fizeram uso desta, especialmente para a troca de mensagens e consumo de mídia. Em um mundo onde a inserção à rede ocorre cada vez mais cedo, é preocupante o tamanho de sua influência sobre nós: até onde vai a liberdade do indivíduo em escolher o que consome?
Em primeiro plano, nota-se que, na atualidade, o valor comercial da informação elevou-se imensamente. Como consequência, as empresas de tecnologia desenvolveram algoritmos que selecionam as preferências dos usuários, construindo assim ambientes virtuais mais atrativos para o gosto pessoal e as ideias de cada um. Desse modo, mais do que a ilusão de liberdade de escolha, isso origina o cerceamento da capacidade de análise de fatos, privando-nos de experiências diversas. Tal fenômeno relaciona-se com o conceito de “pós verdade” - o apelo emocional de manter contato apenas com ideologias e culturas próximas vale mais ao indivíduo do que a verdade e a pluralidade de experiências.
De fato, os chamados “trending topics”, elaborados por redes sociais e plataformas de mídia, ilustram o problema mencionado. Ao indicar quais os conteúdos de maior sucesso e colocá-los em posição de destaque, influencia-se o internauta a consumi-los com maior frequência. Verifica-se, ainda, que estas ferramentas impulsionam um mercado cada vez maior de fraudes e compra de posições de relevância. Portanto, deflagra-se um cenário onde a bagagem cultural do usuário é moldada e sobretudo monetizada, validando o pensamento do físico Albert Einstein: tornou-se aterradoramente claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade.
Diante desse panorama, faz-se necessária a elaboração de medidas para fazer frente a esse problema. O Ministério da Ciência e Tecnologia deverá solicitar às redes sociais que façam alertas ao consumidor, expondo a verdade sobre o funcionamento dos serviços oferecidos. Alia-se a isso a realização, em parceria com o Ministério da Educação, de palestras em ambientes estudantis e propagandas midiáticas que visem informar a população sobre seus direitos. Por fim, o reforço nas leis do Código Penal é importante para garantir a ação da Polícia de Crimes Cibernéticos em quaisquer violações da privacidade e uso irregular das informações dos internautas. Desenvolver-se-á, assim, o solucionamento da manipulação promovida pelos algoritmos digitais.