ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 14/03/2019

As problemáticas que envolvem a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet são, até para os olhos menos atentos, umas das maiores adversidades da atual sociedade. Mesmo que a Constituição Federal garanta o direito à privacidade na rede de dados no artigo 7°, é cada vez mais recorrente o controle, por meio de algoritmos, das ações dos internautas nos computadores, de modo a gerar, por exemplo, notícias e anúncios já direcionados ao perfil de cada um, de forma que esses vêem apenas aquilo que é semelhante à suas buscas na internet. Nesse sentido, cabe a análise de duas direções: a alienação das pessoas quanto àquilo que buscam nas redes e os impactos que essa ação causa na sociedade.

Ao partir dessa realidade, a teoria da mão invisível, onde o mercado por si só comandaria a oferta e a procura de acordo com suas necessidades, de Adam Smith, se aplica a essa problemática, só que no caso, os algoritmos cumprem a função do mercado, de modo a levar à uma alienação cada dia maior das pessoas na rede. Quando o usuário busca uma geladeira no navegador, por exemplo, anúncios a cerca daquele produto aparecem na tela do computador por meses incessantemente. Esse fato mostra um indício de como o controle de dados funciona, e os efeitos dessa ação vão muito além desse exemplo exposto.

Nesse viés, os impactos que essa manipulação causa na sociedade vão desde anúncios incessantes sobre eletrodomésticos buscados, por exemplo, até o total controle de notícias sociais, políticas e econômicas que o usuário tem acesso. Pode parecer uma operação inocente quando vista de forma limitada, contudo, quando analisa-se a última eleição ocorrida no ano de 2018 e o que foi as discussões em rede, por exemplo, vê- se os impactos causados pela seleção de informações de acordo com o perfil de cada usuário. Quando cria-se essa “bolha” algorítmica, que funciona como uma espécie de filtro de notícias, os internautas passam a não ter contato com opiniões contrárias as suas, e como consequência imediata desse fato, temos o fenômeno das “fake news”, ou seja, notícias falsas que ganham força nas redes, de modo a prejudicar profundamente a qualidade das pesquisas em rede.

Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio de palestras e aulas de computação, por exemplo, mostrar à população a importância de estar ciente sobre esse controle de dados, de modo a incentivar a busca por várias fontes e não somente àquela que está acostumada, além de estimular o uso de diferentes navegadores, para que esses criem algoritmos diferentes e que, assim, possam comparar informações variadas, de forma a ter acesso a todo o conteúdo das redes. Essas ações, além de criarem um ambiente menos controlador, combate também o fenômenos já citados das “fake news”.