ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 20/03/2019
“As pessoas não sabem o que querem até mostrarmos o que elas querem”. A frase é do empresário e inventor Steve Jobs revelando a facilidade de imposição e aceitação de produtos e serviços pelos indivíduos. De fato, no que tange a realidade hodierna, com o advento da internet e suas tecnologias de controle de dados, a manipulação se tornou ainda mais potencializada, principalmente no que diz respeito ao consumo. Nesse contexto, convém analisar os principais fatores para essa conjuntura.
A princípio, percebe-se que a fragilidade do comportamento das pessoas deve-se a falta de discussões acerca da internet nas escolas. Nesse aspecto, tal inércia converge diretamente ao posicionamento contratualista do filósofo Rousseau, em que é dever do Estado garantir direitos fundamentais à população (como educação de qualidade). Sob essa concepção, a falta de debates sobre o papel influenciador dos meios virtuais contribui para a ausência de senso crítico nos indivíduos. Somado a isso, os sistemas tecnológicos trabalham com o objetivo de filtrar os gostos e as buscas dos usuários, de modo que, a partir disso, criem infinitas listas de sugestões para satisfazê-los e, consequentemente, moldem a maneira de pensar. Dessa forma, é evidente que, de maneira natural e inconsciente, os indivíduos perdem a própria liberdade de escolha e são impostos a inúmeras consequências.
Dentre outros efeitos, o mais predominante é o incentivo ao consumo. A expansão do acesso à internet, comprovada pelo IBGE, em que 64,7% das pessoas a-utilizam, faz com que as empresas se apropriem do ambiente com estratégia de divulgação e marketing. Com isso, os sistemas cumprem a função de espalhar e impor tais propagandas aos indivíduos que, com efeito, estão sujeitos ao consumo excessivo e, consequentemente, causar o endividamento. Logo, assim como propõe o filósofo Shopenhauer, elas se tornam escravas dos próprios desejos. E, se não existe mediadores que interfiram em tal situação, não há, também como amenizar esses efeitos. Nota-se, então, a urgência em atitudes controladoras.
Diante do exposto, torna-se necessário que a ONU promova uma delimitação das empresas de tecnologia e a controlação do uso da internet pelos influenciadores, mediante a criação de leis internacionais e campanhas contra tais atos, de modo que diminua o processo manipulador dos usuários. Ademais, o Ministério da Educação precisa modificar a estrutura de ensino por meio de novas bases curriculares criadas através de questões atuais e adequadas à tecnologia, para que evite a falta de informação generalizada e, consequentemente, consiga propor um maior senso crítico aos indivíduos. E, com base nessas ações, todos estejam conscientes para exercerem a liberdade de escolha no ambiente virtual