ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 27/03/2019
“Tecnologia move o mundo”. Essa frase foi dita por Steve Jobs, cofundador da Apple. No Brasil, o mesmo fenômeno da globalização da comunicação, advinda da internet, acontece. Sendo assim, para garantir aos usuários comodidade e rapidez na navegação, as redes utilizam um processo de controle de dados proporcionando experiências particulares ao gosto do indivíduo. Entretanto, essa manipulação acarreta uma interferência significativa no comportamento do brasileiro ao reduzir seu senso crítico e incitá-lo a estar em sintonia com as tendências mundiais de consumo.
Nesse contexto, por haver uma seleção prévia dos conteúdos apresentados à pessoa, ela é levada à alienação. Então, ainda que ingenuamente, perde sua liberdade de escolha e fica preso em uma bolha social, já que deixa de ser agente ativo na construção do conhecimento. Dessa maneira, está predestinado a ser influenciado por um padrão que quer moldar seu pensamento. Um exemplo alarmante disso é uma pesquisa do G1, que afirma que 12 milhões de brasileiros disseminam notícias falsas. Fato no qual comprova que não há uma preocupação autônoma em verificar o conteúdo que ele recebe.
Além disso, o processamento acontece de forma automática. Ou seja, a pessoa é direcionada a ver, ouvir e ler coisas que um sistema predeterminou para ela, uma vez que está dentro de um modelo informativo. Sobre isso, Mario Quintana afirmou: “Eu só pediria licença para lembrar que os alienados são precisamente os que têm uma ideia fixa.” Essa conjuntura também é empregada para provocar um desejo de estar em constante sintonia com o que está em alta. Isso é aproveitar o mundo consumista que a internet já é e incentivar as pessoas por meio de seus gostos a não parar de comprar os mesmos produtos, só que “atualizados”.
Fica claro, portanto, que controlar o conteúdo que deseja-se ser conhecido pela sociedade é uma estratégia de corroboração que muda a maneira como o usuário vê o mundo. Por certo, a mídia, como formadora de opiniões, deve criar campanhas de conscientização sobre o poder dessas bolhas sociais e, com o apoio das escolas, diminuir o consumismo por intermédio de projetos sociais de cunho educacional que promovam a autonomia do pensamento e a alteridade do brasileiro. Para que, além de impulsionar o mundo, a tecnologia também seja a mola propulsora do conhecimento, de um jeito universal e verdadeiro.