ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 27/03/2019

O renomado físico inglês Isaac Newton afirmava que “para toda ação, existe uma reação contrária”. Analisando o estudo e relacionando-o à faceta do controle de dados na internet, percebe-se, consequentemente, a manipulação do comportamento e a privação do usuário do pleno acesso à informação e liberdade de escolha. Com efeito, um diálogo entre Estado e sociedade sobre os caminhos para reverter essa problemática é medida que se impõe.

Primordialmente, nota-se uma postura inadequada das mídias sociais frente aos algoritmos de seleção de informações. Isso acontece porque, embora pareça inofensivo, a filtragem de dados que são expostos no ambiente ‘‘online’’ tem poder de moldar a forma de pensar e agir do indivíduo, impedindo-o de acessar conceitos divergentes e sustentar seu entendimento de forma autônoma. Consoante a obra “Dialética do esclarecimento”, de Adorno e Horkheimer, a supremacia midiática dispõe de um impetuoso poder de alienação, capaz de manipular o comportamento da massa. Destarte, a segregação de fatos dicotômicos rastreados pelos algoritmos modernos abre, cada vez mais, espaço para a ilusão de liberdade e sua intensificação na sociedade brasileira.

Outrossim, o nefasto sistema educacional, também, é uma lacuna a ser elucidada. A ausência de projetos pragmáticos e eloquentes que trabalhem os cuidados do uso da rede de internet corrobora, na conjuntura hodierna, com o agravamento do problema. Conforme o ilustre Paulo Freire, em contrapartida, o homem é fruto da educação que recebe. Depreende-se, contudo, a importância da mesma na formação de valores educacionais atualmente ausentes nos cidadãos brasileiros, a começar pelo âmbito acadêmico.

Diante dos fatos supracitados, urge atuação estatal sobre o impasse. O Congresso Nacional deve, juntamente com a Agência Nacional de Telecomunicações, aprovar uma lei federal que regulamenta o uso de algoritmos de filtragem na internet. Tal medida, pois, deve impedir que as máquinas decidem sobre qual notícia deve ou não ser lida, – o que propiciará mais autonomia e liberdade às pessoas – para que, desse modo, possa-se erradicar a doutrinação midiática na sociedade brasileira.