ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 27/03/2019

Sob a perspectiva antropológica de Claude Levi-Strauss, pai do estruturalismo, e necessário compreender o mecanismo funcional de um corpo social para obter um maior entendimento dele e de seus conflitos. Nesse sentido, a problemática da manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, lamentavelmente perceptível, instiga a sociedade a refletir sobre os desafios do combate à questão. Assim, é lícito afirmar que as empresas de tecnologia, com seu capitalismo selvagem, além da ausência de pensamento crítico de parte da sociedade, colaboram para a perpetuação desse revés.

Primeiramente, é ingênuo acreditar que grandes corporações do mundo digital são isentas de culpa no que se refere a práticas manipulativas. Por esse ângulo, empresas como Google e Facebook, de modo irresponsável, fazem o usuário aderir a uma política de privacidade questionável que, na verdade, está a serviço de grandes varejistas que atuam no mercado virtual, como Amazon e Mercado Livre. Destarte, ao adquirir sentido comercial, o histórico de itens buscados pelo usuário faz com que a interface do sujeito seja tomada por anúncios de produtos e serviços que são de interesse do utilizador. Dessa forma, o indivíduo online é reduzido por conglomerados tecnológicos a um mero conjunto de dados e tem uma despersonalização, com a finalidade de gerar lucro em um mundo onde a informação pessoal tornou-se mecanismo de poder. Prova disso é o ‘‘Google Adwords’’, serviço que pode ser usado por empresas e as ajuda a direcionar seus anúncios na internet automaticamente para o público-alvo.

Outrossim, não há dúvidas de que a conduta pouco indagadora de parcela da população contribui para o impasse. É perceptível que, apesar de um uso cada vez mais constante da internet, falta ainda construir uma cultura crítica em relação ao que se vê em ambiente virtual - principalmente em termos de publicidade - que poderia incentivar as pessoas a ter uma visão menos alienadora. Sob esse aspecto, John Locke diz: ‘‘O homem é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências’’. Dessa maneira, vê-se que ao não ser estimulado a um debate sobre os mecanismos agressivos de marketing na internet, o usuário torna-se uma vítima da manipulação cibernética.

Faz-se evidente, portanto, que ações são necessárias para alterar essa conjuntura. Para que isso ocorra, o Poder Executivo deve lançar um Plano Nacional de Proteção à Privacidade na Web que, por meio de uma alteração na Política de Privacidade de redes sociais, como Twitter, YouTube e Facebook, deverá determinar o fim do repasse de pesquisas do usuário às empresas. Somado a isso, tal plano deve prever a realização de palestras por especialistas em segurança de dados em escolas e empresas, que objetivarão alertar e dar orientações às pessoas sobre como se proteger na internet.