ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 28/03/2019

A Revolução Industrial, oriunda do século XVIII na Inglaterra, marcou o início do desenvolvimento tecnológico que persiste na sociedade atual e nos avanços da inteligência artificial como a criação de algoritmos. Embora estes sejam responsáveis pela seleção e sugestão de informações baseadas no gosto dos usuários, eles induzem o que a pessoa vê, lê e, consequentemente, pensa, deixando-a presa no senso comum. Dessa forma, a manipulação de dados na internet, por ser um fato corriqueiro, muitas vezes é esquecido e possibilita o surgimento de um “mal banal”, além de retrair o senso crítico da sociedade.

A princípio, a banalidade do mal é uma expressão usada por Hannah Arendt, filósofa alemã de origem judaica, que retrata o “mal rotineiro” como o mais perigoso por ser tratado como irrelevante ou até normal. Conforme o preceito aludido, subtende-se que a influência da internet sobre o indivíduo tem propiciado a massificação de pensamentos acríticos, pois o usuário perde a capacidade de compreensão e reflexão sobre assuntos, os quais não são de seu interesse, mas que são necessários para evitar a alienação, ou seja, a manipulação por parte da rede cibernética tem sido o “problema irrelevante”.

Convém ressaltar, também, que todo esse manejo de dados feitos pelo sistema de algoritmos tem contribuído para a perda de senso crítico da população, ou seja, as pessoas não procuram obter entendimento sobre o que está alheio à elas. Desse modo, é possível comparar os usuários da internet com as pessoas presas na caverna do “Mito da Caverna” de Platão, filósofo da Antiguidade, pois estas estão estagnadas em seu pensamento e não conseguem encontrar uma relação no seu comportamento determinado pelo espaço em que se encontram, sendo pioneiros da “corrente algorítmica”.

Diante dos fatos supracitados, infere-se que a banalidade do mal e a falta de um posicionamento crítico têm sido determinantes para a manipulação do comportamento dos indivíduos. Portanto, as escolas e universidades devem criar projetos de como se informar melhor e sair do senso comum para os alunos e a comunidade por meio de debates sobre a importância de se informar sobre todos os tipos de assuntos, tanto os de nossos interesses como os que não são, a fim de garantir um estímulo e a postura crítica na população uma vez que quanto mais informado, menor será a alienação.