ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 02/04/2019
Com o avanço da Revolução Técnico-científica-informacional, o mundo experimentou uma intensa facilidade de conexão entre os diversos âmbitos que compõem a sociedade, como transporte, economia, serviços e informação, o que desconstruiu a ideia de barreiras físicas entre eles. A tecnologia surgiu, portanto, como um símbolo desse movimento de globalização e, embora represente liberdade de acesso, deve ser utilizada de forma consciente para evitar situações de dependência. Um exemplo é a alienação dos usuários por meio do controle de dados, cenário cada vez mais recorrente e a que deve ser dada devida atenção.
Nessa perspectiva, analisa-se, por parte das pessoas, uma falsa sensação de empoderamento diante de um acesso aparentemente ilimitado nas redes sociais. A multiplicidade de possibilidades oferecida é uma opção demasiadamente atrativa que torna insignificante a coleta de dados requisitada. Dessa forma, cria-se um círculo vicioso em que, na medida em que informações pessoais são interligadas, mais direcionado será o acesso do usuário para os seus interesses. Assim, a tendência à restrição de informações apresenta-se em contradição com a liberdade esperada, resultando em uma manipulação indireta realizada pelas empresas que, muitas vezes, passa despercebida pela vítima.
Vale ressaltar, diante do exposto, o crescimento do índice de analfabetismo funcional no Brasil. A população assimila a variedade de oportunidades presente no mundo cibernético de forma extremamente passiva, alimentando uma inércia de reflexão crítica ineficiente. Esse contexto está relacionado com a tese de Modernidade Líquida, do sociólogo Zygmunt Bauman, que defende a superficialidade presente na sociedade contemporânea, tomada por valores individualistas e capitalistas. Analogamente à teoria, percebe-se uma influência tecnológica exacerbada que induz os cidadãos a usarem cada vez mais a dimensão virtual e se tornarem possíveis alvos facilmente impulsionados pela indústria publicitária.
Assim, conclui-se a importância e a urgência em adotar medidas que enfatizem a seriedade da situação em pauta e busquem minimizá-la. Para isso, é papel do governo instruir escolas e universidades a instigarem o desenvolvimento do raciocínio lógico e crítico de seus alunos. Isso se daria por meio de debates e palestras sobre a ineficiência das novas tecnologias no comportamento individual, a fim de despertarem a reflexão sobre hábitos diante dos aparelhos digitais e suas consequências. Com isso, espera-se aumentar, cada vez mais, o grupo que usufrui da internet em benefício à saúde psicológica e social.