ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 11/04/2019
Segundo o determinista francês Lamark, “o meio induz mudanças nos seres vivos”. Em conformidade, está a atual relação do internauta com o controle de dados no ambiente virtual, podendo ter seu comportamento manipulado, de forma a serem acentuadas características negativas no convívio social diário. Convém, portanto, debater acerca das consequências do problema e das possíveis maneiras de amenizar as já apresentadas.
Em primeiro lugar, é indubitável a influência negativa dos meios de comunicação na vida dos brasileiros, esta data de tempos longínquos. O “Plano Cohen”, do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937), apresentou, por intermédio principal do rádio (popular na época), uma falsa ameaça comunista no país, com objetivo de ampliar o sentimento de insegurança da população e, assim, atender a vontade do líder de permanecer no poder com o apoio quase unânime do povo. Analogamente, o controle de dados em redes sociais e em ferramentas de pesquisa, a exemplo do “Google”, interfere o posicionamento do usuário, ao apresentar dados convenientes em suas preferências, alimentando ideias as quais já concorda e diminuindo a possibilidade de expansão pessoal por colaboração de pensamentos divergentes.
Além disso, sabe-se que, pela temática não ser atual, mas antiga e agora usada por mídias tecnológicas (a internet em foco), há diversas consequências já observadas. A conveniência de manipular o percentual de expectativa de votos, pela rede, nas eleições de 2018, a favor de um candidato, é um exemplo recente que influenciou a escolha de milhões de brasileiros, uma vez que, com base no IBGE, aproximadamente 65% das pessoas maiores de 10 anos usufruem do mundo virtual. Isso é explicitado pela presença da “bolha social” (isolamento) criada pelo algoritmo, selecionador de dados, que influencia o aumento da intolerância social sob suas diversas formas (étnica, religiosa, de gênero) e corroborou a dificuldade de estabelecer relações interpessoais saudáveis.
Nota-se, enfim, que medidas são necessárias. O MEC deve incentivar, em escolar e universidades, campanhas e palestras gratuitas, que ampliem o contato diversificado entre os alunos, com repertórios de músicas do público geral e apresentações artísticas, independente da cor de pele ou de ideais políticos, para que a “bolha social” naqueles locais diminua e, consequentemente, a intolerância social também. Assim, as mudanças citadas por Lamark não serão de todas negativas, podendo colaborar com a melhora da sociedade.