ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 13/09/2019
Durante as eleições na república Oligárquica brasileira, a classe mais baixa da população era manipulada, uma vez que só podiam votar nos candidatos escolhidos pelos coronéis. De maneira análoga, é possível perceber que o coronelismo está presente nos meios digitais hodiernos, já que os algoritmos manipulam os usuários pelo controle de dados na internet. À vista disso, essa questão acarreta o consumismo e a falta de livre escolha.
Em primeiro lugar, é imperioso destacar que o domínio do comportamento do usuário é bem visto pelo capitalismo. A inteligência artificial em questão, através das atividades online do internauta, filtra informações para lhe oferecer serviços ou produtos conforme o seu gosto. A exemplo disso, pontua-se os sites de compras — como o Mercado Livre — que apresentam itens em outros websites. Por conseguinte, o indivíduo se sente atraído, e o consumismo é corroborado.
Sob outro viés, a ação controladora dos programas interfere na autonomia dos usuários. Consoante o filósofo Jean-Paul Sartre, o homem é condenado a ser livre, mas no atual contexto cibernético essa liberdade é ilusória, dado que os aplicativos decidem os conteúdos pelas ações dos utilizadores. Assim como o serviço Spotify, que seleciona as canções ao ouvinte diariamente; e a empresa Google, que escolhe notícias ao leitor conforme os tipos de conteúdo acessados. Desse modo, o sujeito tem a sua visão de mundo limitada pelos algoritmos, o que o torna controlado.
Fica claro, portanto, que a manipulação da conduta do usuário deve ser amenizada. Logo, os proprietários de e-commerce devem solicitar a aprovação de seus clientes para a criação de perfis de consumo, por meio de “pop-ups” com aviso direto, visando a limitação dos comerciais nos meios de comunicação. Ainda, as escolas devem conscientizar os estudantes por meio da inclusão de debates sobre a atuação dos algoritmos nos aplicativos, para que o jovem passe a buscar conteúdos não seletos. Com isso, o coronelismo só ocorreria na república Oligárquica.