ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 19/05/2019

Consoante ao pensamento do sociólogo Zygmut Bauman, a Modernidade Líquida desmoraliza a ética social pela fluidez dos interesses pessoais reforçando o individualismo em detrimento do bem-estar coletivo. Nesse sentido, os brasileiros, amplamente conectados, são alvos das estratégias das grandes corporações do mercado digital. Com isso, é possível problematizar o uso dos dados coletados, na internet, que visam estabelecer padrões para agradar o usuário não apenas pelo controle do pensamento, como também a redução da liberdade seletiva.

Sob esse viés, o filósofo A. Schopenhauer nos diz que o nosso campo de visão determina o nosso entendimento sobre o mundo a nossa volta, ou seja, qualquer forma de controle das informações recebidas pelos cidadãos resultará não só na minimização da pluralidade cultural, mas também na polarização das ideias. Hodiernamente, observamos a divisão ideológica que o Brasil apresenta, quase maniqueísta, por influência dos novos meios de comunicação.

Outrossim, temos as ideias do contratualista John Locke a respeito das liberdades individuais que são direitos essenciais para garantir a integridade do “contrato social”. No entanto, vivenciamos a falsa impressão liberal relativo as nossas escolhas nas mídias sociais, por exemplo, o Facebook com base no histórico de navegação do internauta filtra as notificações e publicações disponíveis a este, portanto, faz a opção que caberia ao indivíduo - intransferível.

O direito ao conhecimento e à livre escolha da população acerca do conteúdo disponibilizado nas redes sociais devem ser respeitados pela Iniciativa Privada. Além disso, o governo detém a função de articular os setores públicos da sociedade como as Escolas e Universidades por meio de instruções que auxiliem os professores dessas instituições a formar cidadãos com maior senso crítico. Enfim, o Estado deve intervir também nas comunidades familiares através de projetos gratuitos para reciclar as pessoas que já passaram ou não pelo ensino público.