ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 20/05/2019

Uma das reflexões mais visionárias dos efeitos da internet em sociedade pertence a série Black Mirror. Hiperbólica, trata com dureza afirmações acerca da manipulação do usuário. Aos espectadores, a maior de suas extensões é perceber que os temas abordados na série existem na realidade, um prenúncio da falsa liberdade de escolha. A ação de manusear os dados na rede é uma infeliz facilitação, diante da vastidão de informações encontradas na internet; o que formula alienação e fetichismo.

É indubitável que os comerciais de TV foram ferramentas de extrema importância na venda inicial de novos produtos. Hoje, as propagandas consegue incidir diretamente no público-alvo e produz um maior número de vendas, bem como uma falta de percepção de manipulação das escolhas. Adorno e Horkheimer descrevem a indústria como um instrumento de dominação do falso poder de escolha, e essa ganha ainda mais forças com a viabilização dos interesses do internauta. Os algorítimos são exemplo de ferramentas que auxiliam nesse processo; encaminham o usuário aos seus possíveis desejos de compra por meio de um banco de dados retirados de sua própria navegação; desde pesquisas até cliques nas redes sociais. Sendo as opções entregues falsamente amplas, a percepção de comando ocorre e transforma a navegação em uma utopia, o que os insere em uma bolha de informações.

Ademais, os dados contabilizados a fim de proporcionar um conteúdo semelhante são resultado da alienação de compra. Karl Marx, que dedicou sua vida ao estudo do capitalismo, utilizou da denominação ‘‘fetichismo’’ para alegar que esse poder de compra em massa esconde todo o processo por trás da produção, que pode conter escravização contemporânea e testes desumanos. No epsódio Fifteen Million Merits da série Black Mirror, os personagens estão fadados a passar desde seus 21 anos até sua morte em bicicletas que localizam-se em frente a uma televisão particular que contém jogos e programas pré-estabelecidos, o que caracteriza o falso poder de escolha. Outrossim, são direcionados ao padrão de sucesso que lhes é colocado como a felicidade pura, impossibilitados de compreender que é falsa e premeditada ao fracasso pessoal; analogia às falsas propagandas atuais.

Haja vista que a falsa sensação de poder de escolha prejudica o usuário na internet, pois delimita seu campo de visão, é necessário concluir que as informações sobre o uso de seus dados são demasiadamente implícitas. Dessarte, o Comitê Gestor da Internet no Brasil deve estabelecer um consenso obrigatório entre o navegantes e as plataformas digitais, para que se possa compreender como esses dados podem auxiliá-lo de forma positiva. Por isso, seu funcionamento necessita ser explicitado e instruído, sendo uma ferramenta liderada pelo próprio beneficiado.