ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 05/06/2019
A televisão, o rádio e a internet são consideradas redes geográficas imateriais, ou seja, são meios capazes de transmitir informações. Para fazê-lo, a chamada mídia tradicional baseia-se em empresas que acabam formando oligarquias e escolhendo o que deve ou não ser repassado. Neste cenário surge a internet, e as redes sociais, democratizando a produção de conteúdos. Mesmo com a grande diversidade de conteúdos no mundo virtual, o usuário não consegue acessa-lo por completo, por conta da interpretação de dados feita pelos servidores, que acaba guiando a formação da personalidade do indivíduo.
Primeiramente, é preciso compreender que o comportamento humano é baseado em estímulos e que a internet é um meio de recebê-los. Dados do IBGE apontam que mais de 80% dos jovens brasileiros são usuários da internet e, sabendo que o cérebro humano só completa sua formação por volta dos 24 anos de idade, vê-se que tamanha é a influência dos conteúdos consumidos virtualmente pelos jovens para sua formação. Logo, se o contato com estes estímulos for reduzido, o internalta acaba se relacionando sempre com a mesma bolha social, não encontrando opiniões divergentes as suas.
Por outro lado, as empresas responsáveis pelas plataformas digitais temem apresentar temas diferentes à determinado usuário, pois seu lucro depende da permanência do mesmo em seu serviço. Surge, então, a relação entre interesses comerciais e produtos oferecidos. É sabido que as pessoas só consomem o que lhes agrada, dessa forma, seguindo a lógica de produção Toyotista, os servidores só oferecem um determinado ponto de vista, baseado no histórico de acessos do consumidor. Dessa forma as empresas contribuem com a oferta limitada de estímulos, e, consequentemente, com a manipulação de comportamento.
Portanto, assim como indicado pela terceira lei de Newton, para que hajam mudanças na atual situação, medidas são necessárias. Cabe ao poder legislativo aprimorar a lei Marco Civil da Internet, garantindo que o internalta tenha contato com conteúdos que não se baseiam apenas em seu histórico. As empresas, por sua vez, devem, em parceria com as instituições de ensino superior, investir em pesquisa e desenvolvimento para melhorar e tornar mais ampla a seleção de conteúdos feitas por seus algorítimos, para que nem consumidores nem servidores saiam prejudicados nessa relação