ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 19/07/2019

Em sua obra “1984”, George Orwell escreve sobre os perigos de um Estado controlador e autoritário. Hodiernamente, todavia, a modernidade líquida fragmentou a centralidade de tal poder, estendendo-o a internet. Essa ferramente, primordial na atualidade, capta os dados dos usuários, perfila-os e, a partir disso, direciona o comportamento deles, o que suscita questionamentos sobre a manipulação nesse domínio virtual.

A princípio, é pertinente ressaltar o prestígio dos meios digitais como provedores confiáveis de informações. Acerca disso, empresas como Google, Yahoo e Facebook emergiram como indispensáveis fontes de conhecimento aos internautas. A partir da interação destes, esses ‘sites’ traçam sua identidade virtual, e, secretamente, passam a controlar o conteúdo consumido por eles, enclausurando-os em uma bolha informacional.

Além disso, a lógica mercantil do capitalismo contribui para intensificar esse controle. Sobre isso, Michell Foucault, filósofo francês, teorizou sobre a docilidade dos corpo, chamando atenção para a relação de dominação dos indivíduos pela camada dominante, perfeitamente adaptável ao meio virtual, como citado anteriormente. Mas que, nesse caso, os dados são apropriados para direcionamento das vendas e orientação do consumo, privilegiando alguns poucos em detrimento da maioria.

Diante do exposto, fica nítida a problemática na condução dos dados dos usuários de internet e que providências são necessárias. Para tanto, cabe ao Governo Federal, conjuntamente ao setor científico de sua polícia, desenvolver algorítimos de defesa, possibilitando rastrear empresas e comunidades que divulguem ou comercializem informações sem consulta prévia ao dono, para então puni-las; Ao legislativo cabe a revisão do Marco Civil Regulatório da Internet, assegurando que ele esteja em conformidade com os avanços tecnológicos, promovendo maior proteção aos internautas. Assim, há que se garantir a segurança jurídica para além do mundo físico, expurgando da internet o fantasma da falsa autonomia dos indivíduos.