ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 06/08/2019
Na obra “1984”, o escritor George Orwell critica uma totalitária sociedade distópica, em que a liberdade de expressão era restrita pelo poder autoritário do “Grande Irmão”. Com isso, os meios de comunicação sofriam enormes manipulação e censura através das “teletelas”, tendo em vista a repressão estatal. Analogamente, na internet, o controle de dados não efetiva o direito à informação, já que se promove, a partir dele, a manipulação do comportamento dos usuários. Essa conjuntura de silenciosa arbitrariedade a um direito é fruto, sobretudo, de uma globalização antidemocrática.
Em primeiro plano, a cruel nova ordem mundial tem papel essencial no fenômeno da manipulação de dados. Consoante Michel Foucault, a ideia do panóptico (modelo de prisão em que os indivíduos não conseguem ver quem os vigia) revela-se como um instrumento de poder nas sociedades hodiernas, uma vez que permite uma sutil vigilância, na qual os próprios indivíduos regulam seus atos. Nesse contexto, tal utensílio pode comparar-se ao controle de dados pelas máquinas, haja vista o seu uso para moldar atos - e até pensamentos - de uma pessoa ou grupo. Provas disso foram as eleições norte-americanas e brasileiras, afetadas pela propagação de notícias falsas por computadores programados.
Outrossim, a criação de algoritmos, promotores das “bolhas virtuais”, corrobora para a fragilização das democracias atuais. Isto porque os algoritmos são mecanismos matemáticos virtuais que filtram o conteúdo dos usuários conforme os comportamentos desses na internet. Desta forma, tais filtros virtuais reforçam visões unilaterais de mundo, o que promove o isolamento cibernético dos indivíduos (“bolhas”). Destarte, as relações líquidas e o consequente individualismo fortalecem-se, como afirmou Zygmunt Bauman, por intensificar opiniões e formas de agir já enraizados nas pessoas, fato que desmerece o debate e a pluralidade de ideias, fragilizando, assim, as democracias contemporâneas.
Portanto, a usurpação do comportamento do usuário dá-se por meio de algoritmos controladores no mundo globalizado. A fim de sanar a manipulação dos usuários, cabe ao Google Play, em parceria com a ONU, desenvolver um “software” “Antialgoritmo”, mediante a liberação de recursos, como dinheiro e mão de obra dos países signatários. Tal programa deverá atender e disseminar a pluralidade de informações nas redes, reduzindo o controle dos algoritmos presentes na página acessada. Paralelamente, o Poder Executivo desses países (como o Ministério da Educação no Brasil) deve alertar a população sobre a usurpação de dados na internet, por intermédio de propagandas elucidativas voltadas ao público jovem e adulto, para que se combata tal arbitrariedade à diversidade de informações. Quiçá, tal hiato reverter-se-á, distanciando a sociedade hodierna daquela presente no livro de Orwell.