ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 14/08/2019

Após a Segunda Guerra Mundial, em 1945, e o surgimento do American Way Of Life (estilo de vida americano), as empresas passaram a vender a ideia de felicidade por meio do consumo tecnológico. Com isso, se reproduz até hoje uma cultura voltada para a indispensável utilização da internet tendo como consequência sua capacidade de manipular o comportamento humano. Desse modo, evidencia-se a necessidade de analisar criticamente os benefícios e os malefícios para sanar essa problemática.       A princípio, vale ressaltar o progresso obtido pela expansão da tecnologia. Zygmunt Bauman, importante filósofo contemporâneo, diz: “na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, ou seja, os dados quando expostos nas redes sociais são instantaneamente propagados para que uma ampla parcela da sociedade mundial possa recebê-los. Por exemplo, no dia 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, ocorreu um atentado às Torres Gêmeas - prédios relevantes para o país - e este episódio foi extremamente divulgado e debatido em sites, blogs e telejornais, mobilizando cidadãos de todo o mundo a amparar vítimas e familiares. Nesse sentido, é visível que a internet é uma ferramenta de aproveitamento, capaz de unir povos e divulgar acontecimentos instantaneamente.

Ademais, também é indispensável destacar os problemas encontrados no uso dos meios de comunicação. Nesse sentido, semelhante aos períodos pós - Segunda Guerra Mundial e American Way Of Life, a sociedade atual vivencia o principal problema da internet: manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados. Isso ocorre porque o comércio eletrônico para obter maior lucratividade utiliza-se de um sistema que traça o perfil do usuário sem a sua permissão de acordo com as últimas pesquisas na internet, chamado de algorítimo. Assim, automaticamente a pessoa receberá inúmeros anúncios e ofertas em vários ambientes virtuais, induzido a comprar algo que não muitas vezes necessita; algo grave, tendo em vista que ela tem suas chances de reflexão diminuídas - inibindo sua liberdade de escolha - e cuja ação faz a sociedade ser mais consumista.

Depreende-se, portanto, que o uso de dados pessoais do cidadão na internet em prol do lucro é prejudicial para a continuidade da liberdade de escolha. Por tudo isso, o Ministério da Justiça deve enviar parte do dinheiro recuperado em processos de lavagem de dinheiro para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, para que o último invista em concursos públicos para fiscais virtuais, objetivando punir sites que age erroneamente através de dados do usuário. Por fim, é necessário que a escola discuta com jovens e famílias sobre a necessidade de refletir sobre anúncios e ofertas, por meio de palestras, gincanas e oficinas, visando instruir-los para o melhor uso da internet sem a inibição da sua liberdade.