ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 15/08/2019

Segundo o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Portanto, cabe ao homem ser responsável por suas atitudes. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, isso não passa de uma teoria, visto que a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet está em evidência- o que explicita a ausência de Políticas Públicas para a formação plena do cidadão.

No Brasil, indubitavelmente, existe medida do governo para assegurar uma vida digna aos usuários da internet. Pode-se mencionar, por exemplo, a Constituição Federativa vigente no país, cujo objetivo – dentre outros direitos-, é garantir a todo e qualquer cidadão, independentemente de sua natureza, viver de forma íntegra e justa, além de promover condições de liberdade de escolha de maneira ética. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado já intenta contemplar as ideologias do Existencialismo.             Contudo, tal ação não é capaz de atenuar, verdadeiramente, os casos de manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, pois, devido à diversidade tecnológica - que além de possibilitar consequências físicas e psicológicas, pode comprometer planos futuros-, o que se observa, na maioria das camadas sociais da nação, são níveis alarmantes de pessoas alienadas e consumistas, motivados, principalmente, pela aceitação das influências da mídia. Percebe-se, pois, as consequências da fragilidade da educação oferecida à maior parte da sociedade, que não prepara os indivíduos para exercerem, de fato, sua cidadania. A verdade é que, a manipulação das ações do usuário pelo controle de ferramentas online não será atenuada, enquanto o Estado não pautar a educação na responsabilidade de forma que contribua para o convívio em sociedade, afinal “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”, diz o filósofo francês existencialista Jean-Paul Sartre.

Depreende-se, pois, que há a necessidade de investimentos no Ensino Básico – o que já é assegurado pela lei de Diretrizes e Bases, n°9.394/96. Para tanto, é plausível que o Estado, por meio do Ministério da Educação, não só contemple os componentes curriculares de Ética e Formação Cidadã, mas também – em parceria com as escolas-, desenvolva em comunidades, palestras e campanhas, a fim de apresentar a importância da denúncia contra agressores online, com a finalidade de não apenas conscientizar, além de instruir e moralizar, e, por consequência atenuar a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet. Se assim for feito, a maior parcela da nação desfrutará dos princípios existencialistas.