ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 30/08/2019
Criado em 2014, o filme “O Doador de Memórias”, dirigido por Phillips Voyer, retrata em seu enredo o poder coercitivo exercido pelo Estado, o qual apaga a memória de toda a sociedade e passa a dirigi-la com base em seus próprios critérios. Comparado a isso, em tempos hodiernos, a sociedade passou a ser influenciada pela tecnologia, visto que, essa, busca moldar suas publicações de acordo com as preferências do internauta, logo, forma indivíduos com conhecimentos limitados aquilo que lhes convém. Desse modo, essa prática controladora priva a liberdade de escolha do indivíduo, de modo que influencia secretamente suas escolhas.
“A priori”, a Constituição Federal de 1988 prega no Artigo V, inciso IV, sobre o direito do cidadão de escolher e de se expressar. No entanto, consoante apresentado pelo sociólogo Howard Becker, na sua “Teoria da Rotulação”, a sociedade estipula normas morais que limitam as ações dos indivíduos. Logo, o mesmo ocorre com a tecnologia, a qual rotula indiretamente toda a programação transmitida ao usuário e exerce uma ditadura silenciosa quando inibe o direito de escolha social sobre qualquer assunto na internet e não somente aqueles estipulados para cada determinada pessoa.
Outrossim, essas informações pré-programadas acabam tornando os internautas alienados perante a sociedade. Visto que os indivíduos sem acesso a outras plataformas, como revistas e jornais, acabam limitando-se às programações do controle de dados na internet. Assim sendo, a situação assemelha-se ao “Mito da Caverna”, redigido pelo filósofo Platão, o qual retrata a história das pessoas que estão dentro da caverna, sujeitas a várias imposições, porém acreditavam que aquilo era o certo, fator esse, característico da alienação e da falta de liberdade conferida aos usuários.
Diante do exposto, a manipulação dos internautas por meio de conteúdos programados pelo controle de dados da internet, é um fator de suma importância. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, com apoio dos governos estaduais, realizar palestras nas escolas e em praças públicas, por meio de profissionais capacitados para o cargo e com amplo “banco” de informações, para que assim transmitam à sociedade a realidade dos “fatos”, sem a grande influência tecnológica e manipuladora. Ademais, cabe as famílias ressaltar o perigo de confiar totalmente no âmbito tecnológico e incentivar a busca de informações em outros meios, como revistas e jornais. De modo que assim a sociedade possa, como retratados no filme “O Doador de Memórias”, sair da “bolha” criada por um influenciador, no caso a internet.