ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 11/09/2019
Conforme o Artigo 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos — promulgada em 1948 pela ONU — todos os indivíduos têm direito à liberdade e a segurança privada. Entretanto, quando se observa a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, percebe-se que esse preceito é verificado na teoria, mas não na prática. Nesse sentido dois fazem-se relevantes: a mentalidade social e a negligência governamental.
Em primeira análise, cabe pontuar a consciência coletiva como impulsionadora do problema. De acordo com a filósofa alemã, Hannah Arendt, em seu conceito sobre a “Banalidade do Mal”, o pior mal é aquele visto como cotidiano, corriqueiro. Prova disso, foram as eleições americanas, onde apesar de ser constado o uso de informações pessoais para a manipulação ideológica, o caso foi tratado com uma sensação de normalidade pela sociedade. Assim, nota-se a necessidade de mudança nos valores sociais para transpor essa visão social.
Outrossim, salienta-se que a indiligência do Estado está entre as causas da questão. Segundo o filósofo inglês, Thomas Hobbes, é necessário estabelecer um contrato social em que o Estado garante a segurança dos cidadãos e iniba o convívio caótico. De maneira análoga, observa-se a quebra desse contrato uma vez que, o poder público deixa de cumprir com sua função para a manutenção de segurança na internet, por meio do excesso de exposição de dados dos usuários que permite, assim, menos liberdade de escolha, como o que ocorre em sugestões de compras virtuais. Por conseguinte, os direitos individuais permanecem no papel.
Infere-se, portanto, que a manipulação do comportamento através do controle de dados é fruto, principalmente, da mentalidade e da negligência governamental. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação, aliado à mídia, expor o assunto através de telenovelas e propagandas em canais da rede aberta, com o intuito de promover o pensamento crítico. Ademais, o Poder Executivo deve implementar um órgão com o objetivo exclusivo de fiscalizar a coleta de informações na internet. Dessa forma, esse problema será gradativamente reduzido, e, assim, os Direitos Humanos serão cumpridos com o contrato social fora do papel.