ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 31/10/2019
Fruto de pesquisas promovidas durante o período da Guerra Fria, a internet trouxe inúmeros benefícios para a humanidade. Entre alguns exemplos estão: o avanço da medicina, a globalização acelerada, entre outros. Contudo, essa ferramenta poderosa está sendo utilizada, lamentavelmente, para fins maléficos, como a manipulação do comportamento dos usuários por meio do uso de dados no Brasil. Dentre tantos fatores relevantes, destacam-se: o descaso do Poder Público e questões socioeducacionais do país.
Observa-se, inicialmente, que a fraca atuação Estatal impulsiona essa adversidade. Segundo a cientista política Hannah Arendt, a aplicação efetiva das leis é crucial para a equidade social de uma nação. Nessa perspectiva, apesar do direito à inviolabilidade da privacidade estar promulgado na atual Constituição Brasileira, tal garantia não é devidamente cumprida na prática. Prova disso é o chamado SPAM, que consiste em conteúdos enviados por empresas aos usuários da internet sem a sua permissão. Portanto, a indução comportamental desses indivíduos perpetua-se como uma ameaça à democracia nacional.
Ademais, a falta de uma educação digital contribui para a manutenção desse revés. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o conhecimento resulta de complexas interações entre o homem e o meio que o cerca. Nesse sentido, como o ambiente estudantil é voltado ao ensino técnico, os alunos não recebem estímulos essenciais ao desenvolvimento do senso crítico, especialmente no que tange à manipulação que suas ações possam sofrer no cibermundo. Desse modo, enquanto as entidades de ensino não implementarem mudanças, o Brasil será obrigado a conviver com esta mazela social: a corrupção das liberdades individuais.
Entende-se, portanto, que instituições públicas e escolares devem cooperar no combate à manipulação cibernética. Assim, cabe ao Ministério Público formar, através de concurso, uma comissão de especialistas em segurança digital, a fim de criar ferramentas que limitem o repasse indevido de dados dos usuários a terceiros. Além disso, as escolas devem fomentar o pensamento crítico dos alunos acerca do problema. Isso pode ser feito por meio de simpósios anuais que tratem da temática, com o fito de estimular as novas gerações ao uso consciente da tecnologia. Somente assim garantir-se-á que a manipulação “on-line” seja coibida no Brasil e que a internet continue a trazer apenas aspectos positivos para a sociedade brasileira.