ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 06/11/2019

O termo anglófono inglês “fake news” (em português, “notícias falsas”), palavra do ano de 2017 segundo o dicionário em de inglês da editora britânica Collins, tem se tornado cada vez mais relevante para o debate político público no Brasil, pois essas notícias, amplamente divulgadas nas redes sociais, passaram a ser mais um instrumento de manipulação política nas vindouras eleições de 2018, tornando importante a discussão sobre como os eleitores brasileiros poderão enfrentar essa manipulação.

Mesmo antes de qualquer debate acerca de “fake news”, já havia outras práticas em vigor na política brasileira com o fim de anular o valor do voto consciente e favorecer determinados partidos e/ou candidatos em eleições. Na história brasileira do Brasil, por exemplo, não são raros os relatos sobre manipulação por meio de falsas (e, em muitos casos, irreais) promessas de campanha, compra de votos, voto de cabresto, coalizões partidárias eticamente questionáveis e ideologicamente incoerentes, entre outras práticas pouco republicanas.

Esses relatos, contudo, pertencem não só aos tempos da monarquia ou aos primórdios do período republicano brasileiro, mas também aos processos eleitorais mais recentes, com as coalizões duvidosas passando a serem articuladas de modo cada vez menos velado, significando resultando, na prática, a na quase inutilidade da luta contra essas atitudes politicamente danosas mesmo antes de as redes sociais sequer poderem influenciar, de qualquer modo, no resultado desses pleitos.

Com a interferência das redes sociais, esse quadro tende não a melhorar, mas a piorar, pois, apesar de essas ferramentas eletrônicas poderem ser ótimos instrumentos no combate a esses males políticos, torna-se cada vez mais nítido que são justamente os grupos mais interessados na manipulação do debate político público os que dominam esses espaços e disseminam as narrativas políticas mais aceitas pelo eleitor brasileiro médio, o qual, pela falta de senso crítico e de real interesse por política, inevitavelmente será refém de toda manipulação imaginável.

É possível concluir, portanto, que o eleitor brasileiro médio não conseguirá combater com sucesso a manipulação política nas redes sociais não só pelo histórico nacional de vulnerabilidade a manipulações dessa natureza, mas também por não estarem reunidos, na população, o senso crítico e o real interesse por política tão caros ao exercício consciente do direito ao voto.