ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 21/01/2020
O livro “1984” de George Orwell narra um passado distópico em que a população é constantemente vigiada e, por isso, controlada. Durante a trama, televisões residenciais transmitem propaganda do partido da verdade e concomitantemente os residentes são vigiados através de um monitoramento de tecnologia bidirecional instalado nas “TVs” que os filmam. Fora do romance, a atualidade da obra Orwell se manifesta na manipulação virtual do usuário que tem sua capacidade cognitiva de pensar de forma autônoma restringida em função de uma conduta invasiva que induz ao consumismo e que sabota a capacidade de conviver com a pluralidade opiniões divergentes.
A princípio cumpre ressaltar, a influência e a eficiência dos “Big Datas” e anunciantes. Esse método estratégico ultilizado decorre de perfis que são traçados a partir de traços que são deixados nos buscadores virtuais. Desse modo, a veiculação das propagandas obdecem a características semelhantes daquele produto outrora procurado. Entretanto essa tática tendenciosa se orienta a partir de uma visão proposta por Horkheimer, na qual princípios e valores não são importantes na perspectiva da Razão Instrumental, mas sim o modo como elas serão utilizadas para atingir um resultado desejado. Assim sendo, a falta de reflexão aliado ao imediatismo, instaura na sociedade um modo de agir que atende aos interesses de terceiros em detrimento da soberania deliberativa do indivíduo.
Paralelamente a essa dimensão mercadológica, observa-se grupos encarregados de formar opiniões políticas. A razão pela qual, essa medida se reverbera, reside no fato de que a criação de bolhas cibernéticas constroem uma falsa sensação de maoiria e inviabiliza a circulação de opiniões contraditórias que poderiam fazer com quem indivíduos repensem posicionamentos por outra ótica. Contudo, a finalidade desse procedimento vai na contramão do conceito de desnaturalização de Michel Foucault, que consiste num afastamento temporal que deve ser feito com finalidade de desconstrução normativa de valores preconcebidos considerados “verdades”. Não obstante, a desconsideração dessa premissa introduz na sociedade a padronização do pensamento resultante da ausência de contestação. Esse fato estarrecedor fundamenta, então, apoio a projetos autoritários que são condescendentes com as aspirações de grupos que deslegitimam a legitimidade da diferença.
Portanto, a tentativa de resolução desse impasse passa por uma atuação efetiva do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e deve estar ancorada na criação de regras que impõem limites e estabelece condições por intermédio de um sensoreamento que identifica excessos. Cabe ao MEC (Ministério da Educação) a criação de um curso de capacitação em informática que ensine critérios de natureza preventiva com intuito de estimular uma navegação mais segura e consciente.