ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 30/07/2020

Em Fifteen Million Merits, um dos primeiros episódios de Black Mirror, os indivíduos vivem em seus quartos nos quais as paredes são telas; todos são padronizados e seguem a mesma rotina, consumindo as mesmas informações. A sociedade na vida real caminha para algo não muito diferente. O controle de dados molda o pensamento e os valores da massa, tendo como consequência a padronização. Assim, tem também o domínio de seu comportamento; tal cenário danifica as diferenças que enriquecem o mundo, bem como a liberdade que deveria ser uma garantia ao homem.

Primeiramente, vale analisar a influência desse comando na visão de mundo de milhões de pessoas. Em entrevista ao Bom Dia Alagoas, Thiago Ávila, especialista em tecnologia, comenta a sugestão de serviços na internet. Thiago explica a relação de conversação entre o homem e a máquina pelos dados, sendo que o segundo tem capacidade para aprender sobre o primeiro, fornecendo respostas. Desse modo, compreende-se que os aparelhos conhecem cada indivíduo. Tal fato revela o perigo da padronização de pensamento da sociedade que, por sua vez, entra em uma espécie de bolha social, consumindo e propagando sempre as mesmas informações, sem diversificação de fontes.

Ademais, o ajuste de raciocínio tem consequências extremamente relevantes. Segundo o livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg, o ser humano é patologicamente controlado pelos hábitos. Dessa forma, é possível notar que o intenso e constante contato com o controle de dados constrói hábitos no consciente e inconsciente do indivíduo, criando uma série de hábitos e, por conseguinte, comportamentos. Nesse caso, como, apesar de existirem alguns grupos específicos, todos estão sob o mesmo controle, o que se tem é uma massa que procede da mesma forma, sendo facilmente manipulada para o bem ou para o mal; fatos que, acima de tudo, comprovam danos na liberdade.

Destarte, para que a manipulação diminua e o homem recupere sua autonomia, o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação deve desenvolver um projeto que vise a propor uma espécie de “segundo marco civil” da internet . O novo marco deve focar em questões de privacidade do usuário, minguando o controle de dados. Tal estratégia deve ser executada por meio de profissionais da tecnologia da informação, em acordo com os demais que já estão envolvidos. Além disso, a problemática, enquanto tratada, deve ser levada aos usuários para que saibam o que está acontecendo e possam decidir a melhor forma de se posicionar tanto na internet quanto na vida real. Desse modo, todos são conscientizados dos acontecimentos, construindo uma segurança mais sólida.