ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 03/08/2020
No documentário Nada é Privado: O escândalo da Cambridge Analytica, fica claro que durante a corrida presidencial de 2018, no Brasil, uma parcela significativa de eleitores indecisos tiveram seus votos influenciados pelo controle de dados nas grandes redes sociais. É evidente o fato de que manipulando o que é exibido ao usuário, alterações comportamentais ocorrem. Assim, observa-se que as grandes empresas da internet são diretamente responsáveis pela onda de notícias falsas que assola a vida no mundo contemporâneo, trazendo prejuízos inimagináveis, enquanto as corporações multinacionais se mantém a margem da lei, quanto ao uso indevido de dados pessoais.
Em primeira análise, a história do americano David Carroll é fundamental para entender como ocorre a manipulação do comportamento dos usuários nas redes sociais pelo uso ilegal de seus dados pessoais. Ao longo do documentário, Carroll luta para ter acesso as informações que a rede social Facebook coletou sobre ele mesmo, sua batalha jurídica o leva a descobrir uma consultoria especializada em influenciar o comportamento de pessoas através das redes sociais, a Cambridge Analytica. Entre manusear as eleições americanas de 2016 e o plebiscito do Brexit, a principal questão é o fato da empresa não poder ser responsabilizada nos países que atua, devido a entraves legais.
Sob outra ótica, segundo um dos principais filósofos contemporâneos, Jürgen Habermas, é preciso que ocorra ampla discussão acerca de um tema, para que a Ação Comunicativa seja efetivada. Consequentemente, o engajamento crítico e construtivo dos internautas é um passo crucial para que seus dados estejam mais seguros. Desse modo, a manipulação é muito dificultada quando o assunto é amplamente debatido e a conscientização acerca dos perigos das redes sociais é feita.
Em síntese, a manipulação de dados e seus efeitos maléficos no comportamento dos usuários é resultado conjunto da ação das gigantes da internet, Google, Facebook, em parceria com sombrias consultorias, como a Cambridge Analytica, assim como é fruto da falta de conscientização da população que usufrui dos serviços das redes. Portanto é necessário que o Supremo Tribunal Federal, como instância máxima do poder judiciário, averiguar de que forma os dados pessoais dos brasileiros são utilizados por essas transnacionais, para que o direito à privacidade assegurado pela Constituição Federal seja cumprido. Simultaneamente é preciso que o Ministério da Educação, como órgão competente, realize campanha para conscientização dos perigos apresentados pelas redes sociais, visando o maior engajamento social com a proteção das informações privadas dos cidadãos, por meio de palestras e simpósios públicos. Afinal, precisamos como uma sociedade mobilizar em defesa de nosso direito à liberdade.