ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 23/09/2020

Na última eleição presidencial americana, ocorrida em 2016, houve a forte presença das influências do mundo digital. Nesse contexto, o Facebook deixou que informações de seus usuários fossem utilizadas por uma empresa para auxiliar na campanha eleitoral de Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos. Dessa forma, o compartilhamento de dados pessoais de usuários entre as corporações constitui uma maneira de manipular o comportamento dos indivíduos. Portanto, cabe analisar como essa problemática ocorre e quais são seus efeitos no comércio e na política.

Em primeiro lugar, é preciso afirmar que, de acordo com os sites Hootsuite e We Are Social, mais de 50% da população mundial já possuía acesso à internet em 2018. Nesse ínterim, os seres humanos que navegam pelas redes passam informações sobre quem são e quais são suas preferências pessoais e de consumo para os bancos de dados digitais, que respondem com anúncios e propagandas do interesse do usuário. Desse modo, percebe-se que, como as máquinas já traçam os perfis de diversos navegadores da atualidade, conseguem-nos sugerir produtos que eles provavelmente desejam, direcionando o seu consumo pela internet

Ademais, a venda de recursos informacionais de internautas constitui uma maneira de influenciar o posicionamento político e o modo de pensar de uma pessoa. Nesse sentido, segundo Christopher Wylie, delator deste processo, a saída da Inglaterra da União Europeia (o Brexit) não teria ocorrido sem o exercício da empresa Cambridge Analytica, a qual trabalhou para manipular o voto dos britânicos por meio da coleta de dados de usuários. Por conseguinte, conclui-se que o recolhimento de conjuntos de informações de usufruidores das redes digitais pode ser usado para formar ou direcionar a opinião dos indivíduos, como ocorrido no Brexit.

Portanto, infere-se que a orientação do percurso dos navegadores pelas vias digitais para fins mercantis e governamentais deve ser combatida. Nesse cenário, é necessário que o Ministério das Comunicações - órgão responsável pelas políticas de telecomunicação - promova mudanças em procedimentos nas empresas para a proteção de informações pessoais e da privacidade do usuário, por meio da garantia do cumprimento da Lei Geral de Dados Pessoais, que visa garantir o direito dos usufruidores de serviços da internet; além disso, é importante que essa instituição procure conscientizar a população de como seus dados são utilizados pelas corporações cibernéticas. Dessa forma, espera-se que o que ocorreu na campanha presidencial norte americana não se repita no Brasil.