ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 05/08/2020

Durante a Guerra Fria, após uma longa corrida armamentista, os cientistas estadunidenses desenvolveram a arma mais poderosa de todos os tempos: a internet. A facilidade com a qual lidamos com o trabalho, notícias, conhecimentos e relacionamentos é oriunda desse avanço tecnológico. No entanto, faz-se necessário o combate às suas consequências: as ‘fake news’ e o uso de algoritmos por ‘cérebros artificiais’ com interesse comercial e político resultando, infelizmente, na manipulação do comportamento dos usuários.

Leon Festinger, no século XX, desenvolveu o termo ‘Dissonância Cognitiva’ na tentativa de compreender e esclarecer a ideia de que as pessoas costumam se afastar de opiniões divergentes. De fato, ocorre no Brasil, com a ajuda das ‘fake news’, a polarização de questões políticas, sociais e religiosas. Outrossim, tem-se a contribuição do analfabetismo tecnológico de uma maioria que, por sua vez, não sabe e não se preocupa com a veracidade do conteúdo encontrado. Então, sem o auxílio de uma órgão fiscalizador das notícias disseminadas, os alienáveis se tornam importantes em propagandas partidárias e discursos carregados de ódio, intolerância, preconceito e racismo em redes sociais.

Além disso, Arthur Schopenhauer explicou que o ser humano faz do seu ‘campo de visão’ o seu próprio mundo, tornando inexistente o que não pode ver. Aproveitando-se disso, a inteligência artificial utiliza os algoritmos para alienar os indivíduos por meio da atrofiação de informações: passam à obediência influenciada. Não obstante, são responsáveis por uma ilusão de liberdade de escolha: bombardeiam os usuários com propagandas que tendem à hipervalorização de produtos; os influenciam na autoafirmação e nas escolhas políticas e individuais.

Somos, dessarte, uma geração marcada pela falta de autonomia que, por conseguinte, mostra-se necessitada de mudança. Dessa forma, cabe ao Ministério da Justiça criar um órgão que fiscalizará a qualidade das notícias disponíveis, aliado a ele, o Ministério da Educação precisa implementar um curso para ensinar como usar melhor a internet, ambos com o intuito de diminuir as ‘fake news’. Espera-se, também, que o poder legislativo crie leis que punam quem se apropria dos ‘cérebros artificiais’ para influenciar decisões alheias na intenção de dar mais ‘consciência’ aos usuários. Enfim, poderemos nos afastar dos malefícios da Guerra Fria e aproveitarmos seus benefícios com cautela e razão.