ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 29/10/2020

É provável que a internet seja, de fato, aquilo que melhor caracteriza o século XXI. Afinal, como indicam os dados do IBGE, 85% dos jovens entre 18 e 24 anos acessaram a rede ao longo de 2018, ao passo que 1/4 dos idosos também o fizeram. Contudo, embora a internet possua suas qualidades inequívocas, há também riscos e perigos inerentes ao seu uso. As “Fake News”, por exemplo, são provas disso. Assim, torna-se imprescindível discutir dois aspectos que permeiam essa temática contemporânea, são eles: os impactos da manipulação de dados para os rumos da política e a gradativa perda da autonomia dos usuários nas redes.

Em primeiro lugar, convém debater em que medida a internet pode afetar, direta ou indiretamente, a vida política dos países ao redor do mundo. Nesse sentido, é válido rememorar o escândalo acerca do uso político dos dados pessoais de usuários do Facebook em 2016. A época, durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, a empresa Cambridge Analytica utilizou informações pessoais obtidas na rede social para direcionar notícias específicas à determinados eleitores americanos, influenciando-os a aderir ao então candidato republicano Donald Trump. Desta forma, o caso ilustra bem o quão poderosas são informações pessoais disponíveis na internet, uma vez que elas podem redirecionar os rumos da política, como, em verdade, aconteceu com a democracia americana.

Ademais, é também importante considerar a redução de autonomia do usuário frente aos algoritmos de recomendação. É comum que diferentes empresas de tecnologia, como Google ou Netflix, façam uso de filtros para direcionar conteúdo ao usuário, trata-se de uma forma útil de indicar documentários, notícias ou músicas que podem despertar interesse. No entanto, estes mesmos mecanismos, na medida em que selecionam o que será visualizado ou não, provocam uma redução do poder de escolha do indivíduo, ou seja, ao apresentar ou omitir certos produtos em lojas ou anúncios online, influencia-se, assim, o consumo deste ou daquele bem, desta ou daquela mercadoria. Em suma, há uma perda parcial e inconsciente do livre-arbítrio do usuário.

Portanto, cada nação, considerando suas próprias particularidades, deverá encontrar formas de lidar com essa problemática. Sendo assim, caberá ao Poder Legislativo de cada país a responsabilidade de impor limites legais ao uso e à manipulação dos dados pessoais daqueles que utilizam os mais diferentes serviços online, de maneira que, por força de lei, as empresas se comprometam a não comercializar ou fazer o uso indevido dessas informações, o que deverá ser estabelecido, no caso do Brasil, por meio de uma proposta de emenda constitucional. Com isso, certamente boa parte dos problemas relacionados à esta temática hão de ser minimizados.