ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 08/11/2020
A era digital revolucionou a ideia de interagir, as relações de uso e o ingresso a todo tipo de serviço e comodidade. Se a evolução tecnológica foi capaz de dar tanta facilidade e ganho de tempo e de recursos ao dia-a-dia das pessoas, por outro lado expôs, rapidamente, a vida de milhões ao universo de notícias, algoritmos e publicidades virtuais. Durante grande tempo, o alvo de críticas à falta de privacidade foram as redes sociais e a excessiva fatuidade por parte de seus membros. Entretanto, o que dizer da utilização de dados pessoais por empresas, governos ou órgãos de imprensa, sem que o usuário esteja ciente do conteúdo oferecido e propositalmente direcionado?
Em 2018, Mark Zuckerberg assumiu, durante entrevista, o erro cometido pelo Facebook ao conceder o vazamento de dados de milhões de pessoas pela consultoria política Cambridge Analytics, que deles fazia uso para fins eleitorais. O episódio é significativo não apenas pelo vazamento de informações em si, que já não é mais uma novidade, mas principalmente pela grande reflexão social que teve. Ficou então exposto que há, de fato, uma preocupação crescente em torno do assunto e, mais do que isso: que as pessoas estão cada vez mais conscientes e incomodadas com as tentativas de manipulação que vêm tendo.
Além disso, é evidente que a insatisfação dos usuários se deve não só ao uso de dados para fins estranhos aos expressamente autorizados, mas também ao comando de suas preferências pessoais, culturais e até gastronômicas. Tal controle é exercido por sistemas de algoritmos que filtram, selecionam e omitem conteúdos de consenso com bases preestabelecidos de “relevância”, que nada mais são do que o furto do poder de decisão do indivíduo e sua passagem para o domínio de robôs munidos de inteligência artificial.
Sendo assim, é nítida a necessidade de uma mudança na forma de lidar com o ingresso e coleta de informações em rede. Porém, ainda mais crucial do que a criação de mecanismos que assegurem o seu sigilo, o que ainda tem se comprovado um desafio, é o desenvolvimento da capacidade de compreensão na assimilação do conteúdo oferecido pelos programas virtuais. Nesse sentido, a inclusão de sinais e avisos sobre o caráter político ou comercial de determinadas publicações seria uma forma de contribuir para tornar a postura do usuário menos passiva e vulnerável no meio cibernético.