ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 05/11/2020

Penso, logo digito

O filósofo racionalista René Descartes elaborou o cogito, no qual demonstrava que a existência do homem quanto ser racional estava atrelada à capacidade de pensar. Entretanto, no mundo pós-moderno, o avanço tecnológico permitiu o desenvolvimento de ferramentas que auxiliam nas tarefas cotidianas, como a Inteligência artificial. Nesse contexto, é preciso estar atento a em que medida os algoritmos facilitam a vida dos usuários ou exercem excessiva influência, sejam nos hábitos de consumo, seja no comportamento em sociedade desses indivíduos.

Primeiramente, é preciso salientar a importância dos dados dos usuários na internet. As grandes companhias de plataformas digitais destacam-se no mundo empresarial e são assediadas por grandes corporações que almejam acesso aos perfis socioeconômicos e preferências dos consumidores. Nesse sentido, o documentário produzido pela Netflix, intitulado “O dilema das redes”, mostra que essas empresas, como Facebook, Instagram, entre outras, desenvolvem estratégias para que os usuários passem mais tempo conectados, e consequentemente, em constante exposição a produtos e serviços, que por fim, poderão induzi-los a comprar por impulso.

Além disso, as redes sociais colaboram para a formação de opinião. Nesse sentido, o pensador da era da informação, Marshall McLuhan, reverbera a respeito de como a internet é uma ferramenta colaborativa. Sendo assim ao entrar em contato com esse ambiente virtual, o indivíduo não age passivamente às informações contidas nela. Antes, criam-se relações de trocas de experiências. Dessa forma, quando os algoritmos direcionam os usuários para determinados interesses, ocorre também a limitação das esferas sociais, assim, os usuários podem ficar presos em bolhas sem aproveitar todo o potencial da internet, ou ainda pior, tornarem-se pessoas desinformadas, caso seu meio de interesse seja composto por notícias falsas ou sensacionalistas.

Portanto, para que o homem assuma sua condição de indivíduo autônomo e racional, inclusive nas redes, é preciso saber diferenciar conveniência de manipulação. Para isso, é preciso ter acesso à informação confiável. Assim, as mídias tradicionais, como televisão e jornais e revistas virtuais,  podem realizar campanhas que promovam a diferenciação entre fatos e fake news. Além disso, para que haja a proteção de dados dos usuários, o Ministério da Ciência e Tecnologia poderia criar um sistema de pontuação conectado aos supercomputadores da Dataprev, que possibilitasse regulamentar a ação das empresas e autuá-las em caso de acesso indevido. Dessa forma, o usuário poderá usufruir as vantagens da Inteligência artificial  sem deixar de existir como ser independente e pensante.