ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 20/12/2020
No livro “1984”, é apresentado um futuro distópico no qual as massas são vigiadas e persuadidas pelo governo totalitário do Grande Irmão. Dentro desse contexto, a população é monitorada por telas, capazes de armazenar informações sobre o seu cotidiano e utilizá-las no controle. Infelizmente, fora do campo ficcional, verifica-se a existência de um cenário semelhante, uma vez que, na atualidade, algoritmos complexos são usados para manipular o cardápio comportamental do usuário, como também contribuir para a alienação da sociedade.
Em princípio, é mister discutir sobre o uso de códigos digitais nas transformações de comportamento. Nesse sentido, de acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, as grandes corporações, como o Instagram e o Facebook, coletam informações sobre seus usuários para a construção de um perfil virtual, no qual o sujeito recebe conteúdos relacionados aos seus acessos. Em contrapartida, evidencia-se que tal molde visa manipular hábitos do indivíduo, dado que as suas decisões passam a estar associadas nas sugestões recomendadas pelos algoritmos, que podem, erroneamente, oferecer dados enganosos que, como resultado, são capazes de lesar o sujeito.
Além disso, aponta-se que esses organismos digitais influem na alienação social. Nesse seguimento, a filósofa Hannah Arendt, ao analisar o caso de Eichmann - ator do holocausto -, afirmou que suas ações maléficas só aconteceram pois esse sujeito não possuía senso crítico. Em concomitância, na internet, o usuário tem perdido a autonomia e criticidade, porquanto tais algoritmos são aptos para selecionar informações de sua vontade e ocultar outras, assim, moldando o modo de pensar e agir do indivíduo.
Infere-se, portanto, que o controle de dados, na internet, tem patrocinado novos atos comportamentais, bem como a alienação do corpo social. Desse modo, para a mitigação dessa problemática, o governo federal, com apoio do Ministério de Comunicações, deve fomentar a criticidade social, por meio de documentários e campanhas virtuais, visando despertar o senso crítico da população quanto a tais algoritmos. Ademais, tais produções deverão ser transmitidas em TV aberta e pelas mídias digitais. Por fim, espera-se que a sociedade se torne protagonista das configurações digitais.