ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 21/12/2020

Com o advento da Revolução Tecnológica e seus inúmeros avanços, como a velocidade de compartilhamento de informações, filmes como Matrix (1999) começaram introduzir a ideia do possível controle do mundo pelas máquinas. Contudo, fora das telas, tal feito parecia, no mínimo, improvável, porém a inteligência artificial (AI) aliada aos algoritmos mostraram que não só o controle das atitudes dos usuários é uma realidade, como também algo maléfico, além de um problema alarmante. Nesse sentido, convém ressaltar as causas que perpassam tanto o âmbito político, quanto empresarial.

Nessa direção, é importante destacar, a priori, que o governo falha em regulamentar o universo virtual e, por conseguinte, impacta negativamente na vida dos cidadãos. Acerca disso, o Estado, como bem afirmou o economista inglês John Maynard Keynes, deve garantir o bem-estar social. Entretanto, isso não se aplica ao atual cenário brasileiro, pois a falta de ações estatais - como a criação de leis - têm retirado a autonomia dos internautas e propiciado a falsa ideia de liberdade. Além disso, tal pensamento traz consigo o trágico efeito da polarização e, logo, o extremismo, haja vista que a AI trabalha para garantir que passem a maior parte do tempo conectado, mesmo que para isso tenha que os cercar com informações equivocadas, não checadas e, inclusive, falsas.

Ademais, grandes empresas estão entre as causas do problema. Prova disso, de acordo com o documentário “Dilema das Redes”, produzido pela Netflix, com auxílio de ex-CEO’s e funcionários de locais como Google e Facebook, elas detêm dados suficientes para saber com precisão quais serão as próximas ações de seus usuários. Todavia, isso não dá apenas o poder de prever o “futuro”, bem como, análogo à Matrix, o de controle, haja vista que propagandas, por exemplo, podem ser direcionadas individualmente e com alto índice de aceitação. Com efeito, torna, quer seja os dados, quer seja os próprios usuários e a sua liberdade, produtos comercializáveis e banalizados. Isso denota, sobretudo, a precariedade do meio tecnológico e descompromisso das gigantes que controlam esse espaço.

Infere-se, portanto, que providências sejam tomadas para atenuar a monopolização dos dados e controle dos usuários na coetaneidade. Dessa forma, cabe ao governo federal, em consonância com o Poder Legislativo, pressionar as grandes empresas para desenvolver o projeto “Democracia Digital”, por meio da criação de leis que ajudem a regulamentar o meio virtual. Ele será posto em prática com a finalidade de levar aos internautas as informações necessárias sobre a influência que tais propagandas e dados - que rotineiramente são levados - têm sobre eles. Assim, será possível não só fazer jus as teorias Keynisianas, mas também garantir, gradativamente, a fuga da “matrix” e que se cumpra o conceito de liberdade legítima e plural.