ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 12/01/2021
Em sua obra “1984”, George Orwell identifica a realização de um futuro distópico e altamente totalitário, no qual, por meio do partido único chamado Grande Irmão, as autoridades controlam todos os meios de comunicação e todas as pessoas diurnamente, de forma a controlar os pensamentos da população e a influenciá-la a aceitar o autoritarismo vigente. Logo, no século XXI, a realidade vivida é semelhante àquela desenvolvida pelo autor, ao passo que a manipulação comportamental é constatada nas relações digitais. Dessa forma, esse quadro anômalo é fruto da ação dos algoritmos programados e do falso senso de criticidade, problemas que precisam ser solucionados.
Em primeiro plano, é preciso analisar o crescimento exponencial da influência dos “softwares” baseados em inteligência artificial no meio informacional. Assim, Michel Foucault, filósofo francês, defende que o poder efetivo é encontrado nas mínimas relações interpessoais e nas personalidades dos indivíduos, a saber, na cultura, nos gostos e nos costumes; de modo que, uma vez obtidas essas esferas sociais, o cidadão pode ser controlado. Dessarte, com a coleta e a assimilação de dados privados dos usuários por mecanismos programacionais, há a interpretação dessas informações, pelos algoritmos mercadológicos, os quais distribuem sugestões de produtos selecionados previamente, fato que culmina no consumismo e no consequente domínio das decisões pessoais, como visto em “1984”.
Outrossim, é necessária a observação dos níveis de criticismo no espaço virtual e nas interações vinculadas à internet. Deste modo, torna-se mister que medidas governamentais mitiguem o imbróglio. Com isso, segundo a Escola de Frankfurt, a cultura foi transformada em mercadoria e que, por sua vez, para que seja obtido o maior lucro possível, ela deve exigir menos esforços intelectuais e, por consequência, ser de facílima absorção. Sendo assim, estende-se esse ideal para as formas de dominação eletrônica a partir da vigência da confluência de pensamentos feitos para deglutição instantânea, de maneira a atrofiar a capacidade de uma reflexão profunda do que é apresentado, o que manipula, sutilmente, o usuário da internet, como praticava a organização opressora do livro de ficção.
Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é imprescindível. Por conseguinte, faz-se indispensável que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - órgão promovedor do avanço científico -, aliado aos comitês de ética, proponha leis federais que assegurem a proteção e a não utilização de dados concernentes à limitação da navegação do cidadão verde-amarelo pela internet, com reuniões e com palestras que debatam as fronteiras virtuais entre a privacidade e a área comum na rede global de comunicações. Por fim, com o estímulo ao senso crítico, alcançar-se-á o bem-estar no meio digital. Diante disso, a sociedade distópica não tomará proporções reais.