ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 11/04/2021

Em um episódio da série televisiva “Black Mirror”, é retratado um futuro distópico em que os relacionamentos amorosos da sociedade são definidos por meio de um algoritmo de um aplicativo, o que tornava os usuários passivos na escolha de seus cônjuges. Não distante da ficção, hodiernamente, há a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, a qual se sobressai perante os aspecos positivos desses algoritmos. Logo, é pertinente a análise desses aspectos positivos e negativos acerca das novas tecnologias.

Primeiramente, os dados coletados pela internet podem ser utilizados para fins benéficos. Um exemplo disso é a “Fluency Week”, um evento online e gratuito criado pelo Gavin Roy, um norte americano poliglota, criador do canal no “YouTube” “SmallAdvantages”, no qual ele aborda o método que utilizou para atingir a fluência em português e tcheco. Nesse ínterim, ele utilizou o algoritmo da plataforma para acançar, no mundo inteiro, um público interessado nesse assunto, por meio do “tráfego pago”- serviço no qual o anunciante paga uma quantia à plataforma para exibir o seu anúncio para pessoas interessadas no produto. Logo, comprova-se que os dados coletados pelas redes sociais podem ser utilizados positivamente, como para a propagação da educação.

No entanto, como citado anteriormente, pode ocorrer a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet. No documentário “The minimalists”, por exemplo, é apresentado a problemática acerca do conumismo exacerbado na sociedade contemporânea. Nesse viés, a coleta de dados do usuário promove a exibição de anúncios de um produto que ele já tem uma predisposição a comprar, o que propicia, consequentemente, o consumo inconsciente, já que constantemente o indivíduo é exposto aos mesmos produtos de modo a moldar a sua mentalidade ao fato de que ele necessita dele, quando muitas das vezes isso não é verdade. Isso, então, provém da ausência de uma educação digital nas instituições de ensino, as quais formam os cidadãos da sociedade.

Destatarte, para que haja uma mudança nessa conjuntura, medidas devem ser tomadas. Logo, convém que o MEC (Ministério da Educação) promova aulas de educação digital obrigatórias em todas as escolas do Brasil, por meio da alteração da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), de modo a ensinar os discentes a saírem de suas bolhas socioculturais cibernéticas, com o fito de torná-los cidadãos mais críticos e menos influenciáveis. Além disso, compete ao mesmo agente interventor supracitado, por meio do poder Legislativo, formular leis para a redução da manipulação dos usuários, de modo a cobrar das plataformas o ato de informar e solicitar a autorização do usuário acerca dos dados coletados. Dessa forma, haverá um distanciamento da realidade distópica da série “Black Mirror”.