ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 17/02/2021

Nem mesmo o serviço de inteligência da Alemanha nazista, de Adolf Hitler, teve tanto acesso a informações, dadas de bom grado, atualmente, lembra o historiador Leandro Karnal, em uma de suas palestras. Toda forma de controle social pode conduzir à perda de liberdades, individuais e coletivas, e culminar em um Estado de poder totalitário. O s dados gerados pelos usuários da internet, durante seu uso, tornaram-se um produto muito rentável, e as empresas que os comercializam, conhecem seu público melhor que os mesmos. Esta é uma dinâmica de manipulação social sem precedentes.

Primeiramente, o usuário é o produto. Desde mecanismos de busca até as famigeradas redes sociais, qualquer ambiente virtual, conectado à internet, pode coletar dados de cada interação do usuário, e assim selecionar o próximo conteúdo a ser sugerido, bem como as propagandas mais propensas a concretizar vendas, para cada perfil de usuário. Essa informação pode ser comercializada livremente, por grandes corporações de tecnologia, em um processo inescrupuloso de “produtificação” do usuário, ao custo de bilhões de dólares, diz Tristan Harris, especialista do Google.

Não obstante, a internet do século XXI conhece o usuário melhor que o próprio usuário. Segundo Jared Lanier, um do expert do Vale do Silício, as grandes empresas de tecnologia, as chamadas “big techs”, conhecem os padrões de comportamento de seus usuários, a partir de dados fornecidos espontaneamente, enquanto usam a rede. Traçar perfis psicológicos com base no comportamento do usuário, sem o consentimento deste, e estratégias de marketing mais eficazes, a partir destes perfis, configura um ato de manipulação social, em nível global, sem precedentes na história da humanidade.

Portanto cada individuo somente deve instalar e utilizar, aplicativos e sistemas computacionais, depois de ler concordar com a íntegra de seus respectivos termos de uso. Ademais, a Lei 13.709/2018, a chamada “Lei Geral de Proteção de Dados”, entrou em vigor em setembro de 2018. Agora cabe ao Estado fiscalizar e punir os infratores, bem como manter um canal de fácil acesso para os usuários possam fazer denúncias e assim colaborar com o Governo nesta fiscalização. Adicionalmente, já existem muitas redes sociais alternativas, descentralizadas, sob a licença “open source”, como é o caso da “Mastodon”.