ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 18/03/2021
Na obra literária “1984”, escrita por George Orwell, é retratada uma realidade distópica sobre um Estado totalitário vivida por Winston, um funcionário do Partido subordinado ao “Grande Irmão”. Na trama, o ofício do personagem consiste em selecionar dados relevantes para a população de acordo com a concepção vigente do governo. Em um paralelo com a realidade brasileira, é possível traçar uma semelhança com a perspectiva do livro ao constatar-se que os brasileiros também estão submetidos à manipulação do seu comportamento por meio dos seus dados. Desta forma, torna-se imprescindível o debate acerca do assunto.
É importante salientar, de início, que a predeterminação da escolha de conteúdos a serem acessados feita pelos algoritmos ocasiona a alienação da população em relação às suas opiniões e gostos. Ao ser direcionado somente ao que, supostamente, lhe interessa, o indivíduo começa a se aprisionar em sua própria bolha, ignorando ou negando pontos de vista divergentes ao seu por não ter sido devidamente exposto à eles. Isso demonstra o quão prejudicial essa prática se torna ao convívio em sociedade.
É fundamental destacar, ainda, que a filtragem de dados em busca dos desejos dos usuários suscita a padronização deles. A limitação das preferências dos usuários através de suas pesquisas antecedentes, por vezes genéricas, culmina na homogeneização das suas vontades, compromentendo a singularidade dos indivíduos ao colocá-los numa mesma “caixa”. Portanto, fica evidente a influência dos algoritmos nos padrões de consumo da população.
Em suma, percebe-se que a manipulação do comportamento do corpo social por meio dos seus dados interfere na formação da identidade própria dos usuários, visto que molda sua percepção de mundo com base nos interesses econômicos ou sociopolíticos convenientes ao pensamento vigente. Faz-se necessária, então, a resolução dessa problemática. Para tanto, cabe ao Governo Federal fiscalizar as intenções do uso do banco de dados do povo pelas empresas, por meio do monitoramento das informações fornecidas à elas, de forma a assegurar a imparcialidade dos conteúdos divulgados, tendo, em consequência disso, a garantia da liberdade de escolha consciente da população.