ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 21/05/2021
O livro “1984” de George Orwell, retrata um futuro distópico, onde um Estado totalitário manipula toda forma de registro contemporâneo e histórico, com a finalidade de moldar a opinião pública a favor dos estadistas. Para tanto, a narrativa destaca a carreira de Winston, um funcionário do contraditório Ministério da Verdade, órgão responsável por analisar e alterar notícias e conteúdos midiáticos a favorecer a imagem do Partido, para formar a população através de tal ótica. Fora dos cenários fictícios, a realidade representada por Orwell pode ser relacionada ao atual mundo cibernético: gradativamente, os algoritmos corroboram para a restrição de informações disponíveis e para a influência do público, preso em uma grande bolha sociocultural.
A princípio, é importante ressaltar que, em função de novas tecnologias, internautas são expostos a uma gama limitada de dados e conteúdos nos meios de comunicação, consequência da filtração de informações a partir do uso diário individual. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Zygmund Baüman, vive-se atualmente uma espécie de liberdade ilusória, uma vez que o mundo virtual não só possibilitou novas formas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para a manipulação e alienação notórias em “1984”. Assim, os usuários são inconscientemente analisados e lhes é apresentado apenas o mais atrativo para o consumo pessoal.
Além disso, evidencia-se uma forte influência desses algoritmos no comportamento da coletividade cibernética: ao visualizar somente aquilo que foi escolhido para ele, o indivíduo tende a continuar consumindo os mesmos objetos e fechar os olhos para a diversidade de opções disponíveis. Em um episódio da série “Black Mirror”, por exemplo, um aplicativo pareava pessoas para relacionamentos com base em estatísticas e restringia as possibilidades para apenas as indicadas – as quais tornam o usuário passivo na escolha.Analogamente, esse é o objetivo da indústria cultural, segundo Horkheimer: produzir conteúdos a partir do padrão público, para direcioná-lo e, logo, facilmente atingível.
Depreende-se, portanto, que o Estado tome providências para combater o quadro atual. Para cientificar a população brasileira a respeito do problema, é de mister que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que minunciem o funcionamento dos algoritmos nessas ferramentas e advirtam os internautas do perigo da alienação, as quais sugiram ao interlocutor criar o hábito de buscar informações de fontes variadas e manter em mente o filtro a que ele é submetido. Somente assim, será possível confutar a passividade dos indivíduos no país e, ainda, irromper a bolha representada pelo o Ministério da Verdade em Winston de “1984”, a qual as novas tecnologias estão prontas a edificar nos cidadãos do século XXI.