ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 21/07/2021
A banda “The Rolling Stones”, em sua canção “Start Me Up”, expõe faces do âmbito virtual que, devido à automação dos algoritmos nele predominantes, aparentam dominação irreversível sobre a totalidade dos hábitos humanos. Embora lançada em 1981, consequências do ultraje descrito em sua letra ainda perseveram quando se observa a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, uma ameaça ao caráter inclusivo do livre-arbítrio. Por isso, é imperativo compreender sua ocorrência como resultado dos males da negligência educacional e jurídica.
Destarte, convém ressaltar que, diante da ascendente codificação de informações pessoais no campo virtual, a pífia abordagem escolar sobre o entrave omite a importância do competente registro delas nos veículos de comunicação. Conforme o educador Paulo Freire, o processo de aprendizagem deve promover a libertação cognitiva das massas, cujas implicações tendem à solidificação da criticidade discente quanto a inúmeras chagas sociais. Nesse sentido, a partir da evidente tecnicização do ensino nacional, o corpo educador abre mão do debate pautado na formação de bolhas opinativas por meio da individualização dos “feeds” de notícias, o que, ao mesmo tempo, afronta as ideias do cânone da educação brasileira e perpetua a polarização ideológica no ciberespaço. Assim, tal conjuntura precede a indiferença popular acerca do manuseio de dados individuais para fins extremistas na “web”.
Ademais, é prudente destacar as proporções tomadas pela distribuição corporativista de anúncios nas redes sociais. Sob essa ótica, se torna inaceitável a contribuição da impunidade em casos de campanhas de “spam” de propagandas específicas a cada usuário à perpetuação destas no Brasil. Essa inoperância, segundo a sociologia do pensador Émile Durkheim, configura derivações patológicas dos fatos socias, pois a fuga das normais penais pelo Sistema Judiciário - tido, pelo Banco Mundial, como o 30º mais lento entre 133 países - se opõe à normalidade esperada pela sociedade nesse aspecto ao passo que a conduz à anomia - ou seja, desordem generalizada. Logo, a atenuação da funcionalidade constitucional universaliza a conjectura de impunidade, o que impulsiona a maleabilização dos padrões de consumo do indivíduo comum por parte da parceria entre empresas e aplicativos.
Portanto, o Estado deve atuar no combate à manipulação do comportamento pelo controle de dados na internet. Dessa forma, urge que o MEC crie, por meio da aprovação de emendas facilitadoras de investimentos em tal intervenção, palestras, em instituições educadoras nacionais, acerca da temática, com destaque ao Norte e ao Nordeste, detentores de medíocres níveis de escolaridade, a fim de relacionar sua reverberação à negligência educacional. Somente assim a consciência coletiva superará, integralmente, os malefícios do cotidiano descrito em ‘Start Me Up’.