ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 18/09/2021
Hodiernamente, empresas como a Google e o Facebook lideram o ranking das mais valiosas do mundo, de acordo com os relatórios da Economática. Dessa maneira, não coincidentemente, seus serviços são gratuitos, pois concentram o bem mais relevante do início do século XXI: os dados dos usuários. Por isso, poucos monopólios garantem o domínio elevadíssimo das informações, o que garante, não apenas a manipulação política e social em prol da capitalização desse conhecimento, como, também, aliena os indivíduos em uma bolha cultural a partir dos algoritmos.
Primordialmente, a Grécia Antiga, o berço das sociedades modernas ocidentais, teve como um dos seus pilares rumo à democracia a valorização do discurso. Consoante, a prática do debate público era considerada qualidade essencial dos cidadãos, que se reuniam nas Ágoras para contribuírem com suas ideias na construção das cidades gregas. Em paralelo à realidade do atual mundo globalizado e hiperconectado, há em abundância sites para a produção de conteúdo, fóruns para interações e diversas redes sociais. No entanto, apesar de todas essas ferramentas que poderiam contribuir para a formação cidadã, o diálogo com pontos de vista diferentes é minado pelos algoritmos. Esses artifícios são usados para captarem os gostos e as preferências pessoais, reforçando aquilo que os usuários já estão habituados, alienando-os em suas próprias realidades.
Outrossim, os representantes do Poder Público, que deveriam garantir a proteção da privacidade online da população, se beneficiam com a manipulação comportamental e o controle de dados. O fato ocorrido nas eleições dos Estados Unidos, em 2016, escancarou as falhas do Facebook que permitiram a utilização ilegal de milhões de dados pela empresa Cambridge Analytica, no intuito de fortalecer a campanha de Donald Trump. Não obstante, na corrida presidencial em 2020 do mesmo país, novamente houve a tentativa virtual em larga escala desinformativa de descredibilizar o processo eleitoral e, assim, modificar significativamente os resultados. Com efeito, a privacidade da população se tornou um lucrativo negócio, em detrimento da democracia e da formação dos cidadãos.
Portanto, a partir da compreensão dos impactos das violações no meio digital, cabe ao Governo Federal garantir e fiscalizar o cumprimento da Lei de Proteção de Dados, em vigor desde agosto de 2020, além de apurar denúncias advindas da própria sociedade civil, por meio da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, órgão fiscalizador no que tange aos abusos mencionados. Também é necessária a conscientização populacional, a partir do MEC, dos direitos garantidos judicialmente, e orientar com cartilhas e aulas especiais sobre a proteção online, bem como os algoritmos afetam a dinâmica social, para fortalecer a criticidade e o debate, a fim de manter a base da democracia ocidental, o diálogo.