ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 24/07/2021

A internet no Brasil se iniciou no ano de 1988 e somente anos depois foi destinada a usuários domésticos e empresas. Com isso, diversas pessoas acreditavam na melhoria educacional, na media em que os indivíduos teriam mais facilidade em adquirir conhecimento devido à facilidade em obter informações. Entretanto, os bancos de dados que captam os movimentos dos usuários têm gerado sujeitos com pouca abertura ao pluralismo, tento a escola como ator principal para refrear tal radicalismo.

A priori, é importante destacar que a existência dos algoritmos, ao influenciar o sujeito a consumir um único estilo cultural, propicia o surgimento de pessoas menos abertas ao debate e ao pluralismo. Nesse cenário, segundo a revista Veja, o Brasil vivenciou o radicalismo eleitoral durante as eleições presidenciais de 2018. Isso se deveu a indivíduos que, influenciados pelas sugestões advindas de cutucadas invisíveis na internet, a partir de seus interesses e gostos prévios capturados por bancos de dados, começaram a se fixar em uma única visão de mundo. Assim, esses bombardeios informacionais direcionados podem moldar as pessoas a terem uma visão mais restrita sobre um determinado fenômeno.

Além disso, a escola é o principal responsável por não formar cidadãos críticos frente a essas manipulações promovidas pelos controles de dados. Nessa perspectiva, o sociólogo francês Durkheim afirmava que os valores adquiridos na escola tendem a se perpetuar na sociedade. Nessa lógica, as instituições escolares são responsáveis por promover o pluralismo, a diversidade e o reconhecimento dos diferentes modos de ser e estar no mundo. Por conseguinte, adquirir uma formação crítica e plural dificultaria que o sujeito seja absorvido por uma obediência influenciada a partir das filtragens de informações e dos gostos pessoais, capturados algoritmos na internet.

Não restam dúvidas, dessa maneira, de que as pessoas são moldadas e engessadas pelas influências da internet, pois de alguma maneira esta decide qual notícia ler, por exemplo. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, criar projetos com o objetivo de formar cidadãos críticos, por meio de debates e discussões, em sala de aula, sobre as influências da internet e a manipulação da qual os indivíduos estão submetidos. Portanto, será possível favorecer o pensamento dialético e o respeito de diferentes formas de pensar sobre um mesmo fenômeno.