ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 01/08/2021
Em sua obra “1984”, o célebre escritor George Orwell representa, por meio de uma narrativa distópica, uma sociedade em que o governo observa e censura o comportamento de toda a população, e, ainda, define o conteúdo a ser consumido em livros e jornais. De maneira análoga, pode-se identificar uma tendência de manipulação da conduta de usuários da internet, uma vez que tais indivíduos possuem seus dados rastreados por empresas que decidem as informações a que se terá acesso. Diante disso, é possível ressaltar a comercialização do lazer, bem como a falta de autonomia nas escolhas, como aspectos negativos associados ao controle de dados em meios virtuais.
De início, embora as ferramentas tecnológicas propiciadas pelo advento da internet, como as redes sociais e as plataformas de vídeo e música, serem benéficas ao uso recreativo, atores empresariais aproveitam-se da popularidade de tais instrumentos para estimular a adoção de comportamentos que atendam a interesses comerciais. Nesse sentido, o filósofo Herbert Marcuse, pertencente à Escola de Frankfurt, defende a ideia de que não apenas o tempo de trabalho, como também os horários de lazer, são utilizados para gerar lucros, haja vista que se apropria da cultura de massa para transmitir mensagens que motivam ações consumistas. Assim, à serviço de objetivos mercadológicos, algoritmos computacionais filtram informações e expõem determinados conteúdos com o intuito de promover a vontade de consumir em cada um dos usuários, enquanto esses acreditam estar apenas se divertindo.
Ademais, como resultado dessa manipulação, o indivíduo perde sua liberdade em decidir suas ações no ambiente digital. Dessa forma, conforme o pensamento do intelectual alemão Kant, a carência de autonomia na tomada de decisões caracteriza uma condição de menoridade intelectual, na qual o indivíduo é controlado por determinações externas. Destarte, ainda que usuários da internet imaginem estar selecionando aquilo que acessarão nas mídias digitais, existem tecnologias dotadas de inteligência artificial que definem as atitudes a serem adotadas, de modo que frequentadores da internet transformam-se em reféns das vontades de outrem.
Portanto, a manipulação daqueles que utilizam a internet relaciona-se a efeitos nefastos à sociedade. Logo, a fim de alertar a população acerca dos riscos do uso de plataformas virtuais à sua liberdade, cabe ao Ministério da Educação desenvolver palestras a serem realizadas em escolas e universidades, nas quais se discutirão maneiras de se proteger de ameaças à livre opção por atitudes livres de influências externas, por intermédio da participação de psicólogos especializados no assunto de influências comportamentais na internet. Com isso, espera-se combater o estado de alienação diante da problemática em questão, e, dessa maneira, atenuar a manipulação de condutas coletivas.