ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 01/09/2021
O escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar a realidade brasileira e o exposição dos usuários da internet a manipulação de seu comportamento, constata-se que esse benefício não tem sido pragmaticamente assegurado. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência governamental como pilares fundamentais da chaga.
Conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se observa a forma com que plataformas digitais utilizam algoritimos para viciar seus usuários. Destarte, esse cenário nefasto ocorre justamente pela falta do poder transformador da deliberação e a falta de conhecimento por parte da sociedade.
Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis corrobora a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico, posto que o Estado não usa medidas para combater o uso manipulador dos dados dos brasileiros na internet. Assim, medidas precisam ser tomadas as fito de atenuar o revés.
Infere-se, portanto, que o imbróglio necessita ser solucionado. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com psicólogos, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com as emissoras de televisão. Em adição, o Congresso Nacional deverá implementar leis eficazes contra a coleta irregulamentada de dados dos usuários. Feito esses pontos, com a visão crítica de Durkheim e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser de papel, como enfatizou Dimenstein.