ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 12/09/2021
A pseudoliberdade da internet
A Constituição Federal de 1988 – reguladora das ações do Estado – garante, no artigo 5°, a liberdade como direito inalienável. No entanto, nem todos conseguem gozar plenamente desse direito devido a sua ausência no âmbito virtual. Nesse contexto, vê-se como essa problemática tem suas bases no controle das informações e no efeito bolha.
Em primeira análise, a internet é tida como um universo livre, onde o usuário acredita ter em suas mãos o livre acesso e escolha a todo conteúdo que lhe apraz. Mas isso não é verdade. Sob esse viés é cabível enfatizar o controle de fatos e acesso a bens culturais por regimes totalitários – como a atual China e a antiga Alemanha nazista – como método de manipulação da opinião pública. De forma análoga, em nível global, mãos invisíveis determinam o que é relevante ou não através dos algoritmos. Desse modo, observa-se como esse controle de informações desfaz a ilusão da internet como um mundo de livre decisão.
Ademais, a criação de bolhas impede que o usuário acesse diferente perspectivas. O filósofo coreano Byung Chul Han, em sua obra “A Sociedade do Cansaço”, afirmou que a sociedade contemporânea está doente em busca do alto rendimento. Sob essa ótica, para melhor performar dentro de suas redomas, o indivíduo se encarcera de modo a não enxergar outras realidades, opiniões e posicionamentos, tornando-se um ser extremamente condicionado. Nesse panorama, nota-se como o efeito bolha contribui para a manutenção desse cenário.
É mister, portanto, que o Estado tome medidas para a solução desse problema. Urge que o governo federal crie uma lei de transparência virtual que obrigue os sistemas que utilizam algoritmos a explicitarem seus critérios por meio de informativos, a fim de conscientizar seus usuários e dá-lhes o poder de decisão. Apenas dessa forma, o direito presente no artigo 5° da Constituição será garantido.