ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 17/10/2021
No livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, crianças nos primeiros meses de vida são coagidas a pensar e agir de forma predefinida pelo Estado, através de um processo de condicionamento para a vida adulta. Fora da ficcção, observa-se que há semelhança com o que é feito pelas grandes empresas de tecnologia hodiernamente, uma vez que estas manipulam o comportamento do usuário, por meio da retenção de seus dados. Ademais, a alienação dos indvíduos, em geral, é um agravante do problema.
Primeiramente, é válido analisar o efeito das multinacionais dos “streamings” na vida de quem consome. Plataformas famosas, como Netflix e Spotify, logo no início dos serviços, já buscam formas de “moldar” o perfil de interesses do assinante. Por exemplo, ao perguntarem categorias, gêneros e artistas favoritos, criam indicações automáticas, única e exclusivamente com base nos algoritmos, limitando, assim, a possibilidade de novas descobertas. Dessa forma, o ente fica restrito aos seus gostos momentâneos, gerando um ciclo de ações automáticas na hora de escolher, favorecendo então os interesses comerciais das empresas, dado que elas teriam menos chances de “desagradar” seu subscritor. Paralelamente, esse é o significado de “liberdade ilusória”, para o sociólogo Zygmunt Bauman, estado no qual as pessoas pensam ter controle sobre suas ações quando, na verdade, não têm.
Outrossim, a alienação de grande parte da população (em especial da parcela vive em centros urbanos, com ritmo de vida acelerado) é outro fator a ser investigado, para isso, é cabível tomar como parâmetro a filosofia do estudioso Karl Marx. Segundo seus ideiais, feitos automatizados, ocasionados pela constante repetição, são um dos principais motivos pela falta de reflexão e, consequentemente, de racionalidade sobre o que se faz. Como resultado, sociedades tornam-se facilmente manipuláveis: é o que acontece por meio do controle de dados do usuário na internet. E isso carece de medidas que visem a reversibilidade de tal cenário, logo, perdura na atualidade, onde “a tecnologia move o mundo”, de acordo com o empresário Steve Jobs.
Urge, portanto, que o Estado, através do Poder Legislativo, submeta as empresas de tecnologia a um regulamento comum, sob pena de multa e prisão dos responsávies. Esse conjunto de regras deve impedir, a título de ilustração, que as recomendações sejam restritas as respostas de usuários, sugerindo, sempre, também algo que não seja da prioridade dos mesmos, além disso, deixá-los sempre bem informados sobre os próprios dados. Com efeito (e fiscalização/cobrança), reduzir-se-á vulnerabilidade das informações que “condicionam” a indução irracional.