ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 22/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo sexto, o direito à segurança e liberdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a manipulação do comportamento do usuário. Nesse sentido, nota-se a falta de políticas públicas que assegurem e alertem os usuários sobre os algoritmos que emitem informações pelas redes sociais ou pelos sistemas de busca que podem moldar uma maneira de pensar do indivíduo, oferecendo uma ilusória liberdade de escolha. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a segurança, o que infelizmente é evidente no país.

Em primeiro plano, é fulcral salientar que Hanna Arendt em seu livro “Banalidade do mal”, refletiu sobre o processo de massificação social, onde todos possuem o mesmo padrão de gostos e comportamentos. Com efeito, quando se fala sobre a manipulação que as empresas fazem sobre o comportamento das pessoas, é fácil perceber que uma ideia defendida por Hanna tem relação total com a temática, já que os indivíduos são influenciados de tal modo que não conseguem perceber que a sua tomada de decisão, sobre o que gostar ou consumir, provém do uso de algoritmos e não do seu núcleo. Logo, percebe-se que a população deve ser conscientizada sobre seus direitos e bens sociais.

Depreende-se portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de escolas e universidades, crie um projeto sócio-educativo, com oficinas, palestras e debates, a fim de promover a conscientização social sobre a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na Internet. Esses eventos devem ter alcance nacional, inclusive pela internet. Espera-se, dessa forma, que uma população pode estar inteirada sobre o assunto e que o problema seja minimizado.