ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 11/11/2021
“A tecnologia move o mundo”, fora esse o brado do fundador da Apple, Steve Jobs, que traduz e remonta todo aquele novo cenário de descobertas e criações no mundo digital. Partindo desse entendimento primeiro, fica evidente que o hodierno experimenta ainda mais dessa noção, porém, os usuários têm sentido a falsa ideia de liberdade ao navegar nas redes, dada a intervenção de certas marcas em influenciar esse acesso e o constante “bombardeio” de informações que incitam o acesso e o consumo, configurando, assim um problema.
Sob essa perspectiva, vale lembrar que desde o início da Revolução Industrial – principalmente na terceira fase – o mundo digital tornou-se quase que indissolúvel do tecido social contemporâneo. Sob esse viés, fica evidente o papel e a influência desse “novo mundo” nas relações dos indivíduos, que passa a ser o objetivo primeiro dessas grandes marcas, já que é nessa relação que se constrói todo o domínio e toda a influência dessas instituições nas redes, nem que para isso custe um dos princípios cardeais da dignidade do homem, isto é, a liberdade e o livre trânsito, algo também bem aplicado na web. Diante disso, esse cenário justifica bem o argumento do pensador alemão Karl Marx, ao afirmar que o capitalismo elege os lucros em detrimento aos valores éticos e morais da vida.
Outrossim, faz-se de suma importância o debate acerca da influência da indústria cultural nesse cenário. De acordo com Marx, para a indústria, o homem e o seu consumo é o princípio motor de suas intenções, algo já bem mantido e estabilizado pela sociedade. Isso acontece pela grande influência dessas grandes mídias e às constantes intervenções na rotina dos indivíduos, que para “existir” - involuntariamente - precisam consumir logo aquilo que lhes é mostrado. Sob esse ponto de vista, torna-se evidente a colocação da pensadora Hannah Arendt, a qual afirma que a massificação da sociedade a torna incapaz de questionar e julgar as situações que a ferem.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para garantir a não manipulação do comportamento do usuário na internet. Cabe, então, ao Ministério de Ciência e Tecnologia, órgão regulador das diretrizes científicas e tecnológicas no país, por meio da criação de portarias e enrijecimento de leis já existentes, fiscalizar e aplicar sanções àqueles que fazem uso de métodos que limitem e controlem a navegação do indivíduos na internet, a fim de garantir e manter a liberdade desses usuários nas redes. Só assim, o país experimentará daquela noção interpretada por Jobs.