ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 15/11/2021
Durante a vigência do Estado Novo (1937–1946), ressalta-se a atuação do Departamento de Imprensa e Propaganda, o qual dissimulava as ações autoritárias do governo, com o objetivo de controlar a opinião popular. Nesse sentido, percebe-se a manutenção desse cenário, no entanto, a manipulação do comportamento dos indivíduos realizar-se-á pelo controle de dados da internet. Posto isso, faz-se necessário debater a alienação dos indivíduos como consequência desse cenário e destacar a precariedade do sistema de ensino como catalisadora de tal contexto.
À luz dessa perspectiva, salienta-se a influência do sistema capitalista no alheamento da população. Sob esse viés, consoante o sociólogo alemão Karl Marx, a alienação favorece a perpetuação do capitalismo, na medida em que propicia a mitigação do senso crítico. Dentro desse prisma, ressalta-se que o algoritmo – incumbido de coletar e apresentar informações de acordo com o perfil dos usuários – possibilita a concretização dessa estratégia de dominação. Isso, porque, esse mecanismo os insere em uma “bolha cibernética”, ou seja, os introduzem em um ambiente conforme as particularidades de cada cidadão cibernético, o que os impede de acessar os demais fatos inerentes à sociedade e, desse modo, formular críticas a respeito deles. Sendo assim, evidenciam-se os impactos negativos do controle de dados da internet à estrutura social, porque permite à manutenção do capitalismo em detrimento a limitação da criticidade dos indivíduos.
Outrossim, denota-se a deficitária operação do sistema educacional como responsável pela catalisação do cenário apresentado. Sob esse pressuposto, ressalta-se o pedagogo brasileiro Paulo Freire, o qual afirma que a educação deve ser baseada no caráter emancipatório lhe atribuído. Nessa linha de pensamento, percebe-se a importância da educação no combate à manipulação dos usuários cibernéticos, tendo em vista que, caso concretizada a tese do pensador, os discentes, dotados de senso crítico, mitigariam a influência do manuseio de informações realizado pelo ciberespaço e, consequentemente, das bolhas cibernéticas. Dessa maneira, atesta-se a primordialidade de determinações governamentais com o intuito de estimular a criticidade dos alunos.
Em vista do exposto, urge ao Estado brasileiro a promoção de medidas que objetivem atenuar à problemática. Portanto, cabe ao Ministério da Educação criar o projeto “Ciberespaço” – o qual deverá elucidar os discentes a respeito da relevância da criticidade para a imersão virtual –, por meio da adição à Base Nacional Comum Curricular, com o fito de impedir a disseminação das bolhas cibernéticas. Dessa forma, permitir-se-á a emancipação dos cidadãos do controle de dados da internet, conforme aludido por Paulo Freire, impedindo, assim, a instauração de cenários similares ao Estado Novo.