ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 18/05/2022

É garantido pelo Código de Defesa do Consumidor de 1988 o direito de exercer a livre escolha do consumo de bens e serviços. Todavia, quando a manipulação de dados na internet ganha maior abrangência, é percebido a perturbação deste direito e com ela a influência nas escolhas tanto de consumo, quanto políticas do cidadão, fator que colabora para ascensão de regimes extremistas e redução do bem-estar social.

Sob esse viés, a manipulação nas redes sociais por algoritmos comportamentais – ferramentas com a finalidade inicial de facilitar o mercado – pode, sem o devido regulamento, intervir no posicionamento social do internauta. Nesse sentido, a série “Black mirror” simula uma sociedade regida por algoritmos de escolhas e sua relação direta com a ascensão de um regime totalitário, retratando o impacto negativo na democracia daquela comunidade. Dessa forma, fica evidente que o uso de ferramentas que proporcionam a manipulação nos espaços digitais carece de atenção da comunidade, a fim de impedir que sua presença promova a alienação dos usuários dessa rede e impacte diretamente no modo de vida fora dela, como por exemplo na escolha do candidato político.

Além disso, a má utilização deste algoritmo pode favorecer o endividamento do internauta e reduzir seu bem-estar. Nesse contexto, a revista “Pesquisa Fapesp” correlacionou em 2019 o advento das mídias sociais – iniciado na virada do milênio – com o crescente aumento de consumo de produtos via internet, associando esse aumento com o endividamento brasileiro. Desse modo, fica evidente que a ferramentas usadas para manipular o consumo dos usuários da rede pode afetar diretamente a gestão financeira dele e com isso, proporcionar seu endividamento, ocorrência que está intimamente ligado a perda da qualidade de vida.

Portanto, a fim de reduzir os impactos apresentados é necessário que o governo, representado pelo Ministério da Comunicação, atue no sentido de conscientizar o cidadão sobre a manipulação presente nos espaços digitais. Ação que poderá ser realizada por meio de campanhas nas próprias mídias sociais, a fim de estimular a independência do consumir. De tal maneira que favoreça o consumo consciente e a liberdade de escolha garantida em lei.