ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Enviada em 28/10/2023

Segundo Steve Jobs, um dos fundadores da Apple, a tecnologia move o mundo. Contudo, os avanços tecnológicos não trouxeram apenas avanços, visto que milhões de pessoas ao redor do globo tem seu comportamento rastreado e até mesmo moldado pelas tecnologias “machine learning” , presentes nas redes sociais e aplicativos. Nesse contexto, a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet, processo realizado pelas grandes empresas, buscam aumentar a captação de seu público por meio da análise de resultados, colocando em risco a vida das pessoas em prol do lucro. Desse modo, essa problemática acaba por desrespeitar a privacidade e a liberdade popular, assim como sua saúde.

Em primeira análise, é evidente que a manipulação do comportamento do usuário pela internet, tecnologia que cada vez mais se torna uma parte inerente a vida do indivíduo, dita o modo de vida de cada um. Seguindo nessa perspectiva, uma vez imerso nas redes sociais, a reconfiguração do aplicativo de acordo com os seus interesses aumentam os níveis de dopamina lançados na corrente sanguínea, hormônio da recompensa, o que não apenas capta a atenção do público como também o desestimula a utilizar seu tempo livre de maneira mais saudável.

Ademais, a manipulação a virtual também afeta psicologicamente o usuário na medida em que o torna dependente do estímulo hormonal dado pela rede social, funcionando de modo verossimilhante como o vício ao álcool ou cigarro. Sob essa ótica, destaca-se Zygmunt Bauman em seu conceito de modernidade líquida, no qual as relações sociais e econômicas modernas são instáveis, efêmeras e frágeis, carecendo de aspectos sólidos de uma relação saudável pelos distúrbios causados pelo controle de dados, levando a consequências como ansiedade, depressão, TDAH e a alteração na capacidade de atenção e absorção de conteúdo da pessoa, tornando-a inerte e alienada.

Em suma, diante dos fatos supracitados, denota-se a necessidade de soluções. Para tanto, cabe ao ministério da saúde promover, a partir de verbas públicas, palestras e campanhas publicitárias de amplo e comum acesso, ministradas por sociólogos, as quais conscientizem os sujeitos acerca da importância de regular o uso diário das redes sociais, a fim de minimizar os efeitos do uso contínuo da rede.